Capítulo 194 — Por que ela?
William Robinson
Adrian travou o maxilar, abrindo a boca para retrucar, mas a menção ao ciúme que ele mesmo nutria pela Vic o pegou de surpresa. O bilionário apenas respirou fundo, passando a mão pela nuca e balançando a cabeça em silêncio.
Augustus interveio de imediato, a postura rígida, a voz saindo baixa e controlada, mas com aquele tom definitivo de quem encerrava qualquer debate.
— Adrian, Karen... peço desculpas pela situação. Nós encerramos os detalhes da transição amanhã pela manhã. — Ele se virou para mim, pegando a pasta de couro sobre a mesa lateral e segurando o meu antebraço com firmeza inabalável. — Nós vamos para casa agora, William.
— Eu não terminei de... — tentei soltar o braço, mas Augustus não deu brecha.
— Nós vamos embora agora — ele repetiu, o olhar azul cravado no meu com uma seriedade que não admitia réplicas.
Ele me conduziu para fora da sala sem olhar para trás. Karen permaneceu estática ao lado da mesa do Adrian, com o rosto pálido e os lábios cerrados em choque.
Descemos pelo elevador privativo sob um silêncio cortante. Eu sentia as lágrimas arderem no fundo dos meus olhos, mas me recusei terminantemente a chorar na frente dele. Mantive o queixo erguido, os dentes travados e a respiração pesada, olhando para o painel digital que marcava a descida dos andares.
Augustus não abriu a boca. Ele segurava a pasta contra o corpo, com a mandíbula tensa e a veia da têmpora pulsando discretamente.
Entramos no nosso carro no subsolo. Joguei a chave no colo dele e me atirei no banco do passageiro, batendo a porta com força. Augustus deu a volta com calma calculada, sentou-se ao volante, ajustou os espelhos e ligou o motor sem emitir um único suspiro.
O trajeto até a nossa cobertura foi um tormento gélido.
As luzes noturnas de São Francisco passavam pelo vidro como borrões dourados, mas a minha mente estava um caos absoluto. O fantasma da insegurança, aquele monstro antigo que eu tanto tentava abafar debaixo de roupas caras, deboches afiados e piadas sobre ser "namorado troféu", havia despertado com uma violência avassaladora.
Eu sabia perfeitamente o terreno onde pisava. Eu era a primeira relação homoafetiva de Augustus. Ele havia vivido anos em um padrão heterossexual rígido, em um círculo social aristocrático e tradicionalista. Eu nunca tive ciúme de homem perto dele; os homens não representavam perigo nenhum.
Mas as mulheres... as mulheres eram o reflexo de um passado seguro, confortável e socialmente aceito que ele havia deixado para trás. Ver a Karen, linda, bem-sucedida, refinada e compartilhando anos de história com ele, escancarou a ferida aberta de que, no fundo, eu sempre temi não ser o suficiente para mantê-lo ao meu lado.
Quando as portas do elevador abriram no nosso hall privativo, eu saí marchando na frente.
Entrei na sala ampla, joguei a bolsa sobre o sofá de couro claro e tirei os sapatos com violência, chutando-os para um canto qualquer. Cruzei os braços, andando de um lado para o outro sobre o tapete persa enquanto Augustus entrava com a calma costumeira, trancava a porta com a chave e pousava a pasta na bancada da entrada.

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