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Cláusula Proibida: O Amor Nunca Fez Parte Do Acordo romance Capítulo 202

Capítulo 202 — Ponto cego

Natalie Weston

Soltei o ar que estava prendendo em um suspiro trêmulo.

Quando a boca dele tocou a minha, não consegui resistir. Esqueci a cena que vi. Esqueci a Diana. Eu só retribui.

Foi um beijo sôfrego, cheio de alívio e carência acumulada, desmanchando a tensão que vinha nos sufocando nas últimas semanas. As mãos dele desceram para a minha cintura, me puxando um pouco mais contra ele no espaço apertado entre os bancos.

— Eu estou morrendo de saudade de você, Nat... — ele sussurrou contra os meus lábios, a respiração morna colada na minha pele. — Eu não aguento mais passar os dias sem conseguir falar direito com você. É trabalho, são as empresas, são os problemas dos outros... eu só queria um minuto inteiro só nosso.

Deixei escapar um sorriso discreto, encostando a minha testa na dele e fechando os olhos.

— Eu também senti a sua falta. Muita falta.

Lucas soltou uma risada fraca, acariciando a minha bochecha com o polegar.

— Então vamos voltar lá para dentro? Eu mando o gerente trocar a nossa mesa para o terraço, longe de qualquer distração, e nós almoçamos como planejamos.

Abri os olhos na hora e neguei com a cabeça.

— Não. Naquele restaurante eu não piso mais nem que me paguem. O clima já estragou completamente por lá.

Ele deu um riso gostoso, compreensivo.

— Justo. Muito justo. O que você quer fazer então?

— Vamos para a minha casa — sugeri, sentindo o corpo finalmente relaxar contra o encosto do banco. — A gente pede uma comida tailandesa ou japonesa pelo aplicativo, desliga os telefones e passa a tarde inteira jogados no sofá, sem ninguém para atrapalhar.

— Perfeito. Negócio fechado — Lucas sorriu, parecendo ter tirado uma tonelada das costas. — Vou só voltar correndo lá dentro para cancelar a reserva. Eu sigo você até o seu condomínio.

Ele segurou a minha nuca com carinho e me puxou para um último beijo de despedida, lento e apaixonado. Eu já estava com os olhos fechados, sorrindo contra a boca dele, quando um toque estridente e insistente de celular vibrou no bolso do paletó dele.

Lucas bufou contra os meus lábios, soltando um resmungo irritado.

— Atende logo isso, vai — brinquei baixinho, soltando uma risadinha cúmplice. — Deve ser alguém da empresa querendo atrapalhar o nosso almoço. E tem aqueles documentos para assinar lá na Foley, eu também tenho que ir para lá.

O telefone continuou tocando insistentemente.

— Se for o Adrian, eu desligo na cara dele — ele resmungou, puxando o aparelho do bolso sem sequer olhar para a tela.

Em um gesto automático e relaxado, com a intenção clara de me mostrar que não escondia nada, ele apertou o botão verde, ativou o viva-voz com o polegar e jogou o telefone sobre o console central, voltando a me puxar pela cintura para roubar mais um beijo.

— Alô? — ele atendeu rente à minha boca, enquanto eu ria baixinho contra o seu queixo.

Mas o riso morreu congelado na minha garganta no milésimo de segundo seguinte.

— Querido... — a voz feminina ecoou pelos alto-falantes, aveludada, melosa e nauseante. — Fiquei tão magoada por você ter saído daquele jeito atrás daquela garotinha mimada... Nós estávamos tão bem conversando sobre o que podemos construir juntos.

O silêncio que se instalou dentro daquele veículo foi ensurdecedor.

O meu corpo inteiro paralisou. Empurrei os ombros de Lucas com as duas mãos em um reflexo bruto de puro asco, me afastando dele como se ele estivesse em chamas.

Minhas costas bateram contra a porta do motorista, e o ar sumiu novamente do meu peito, substituído por uma sensação sufocante de traição.

Lucas arregalou os olhos em um espanto genuíno, o rosto descolorindo em um segundo. Ele se esticou em desespero até o console, pegou o celular e encerrou a chamada com um golpe seco na tela.

— Natalie... amor, por favor...

— Sai do meu carro — ordenei. A minha voz não saiu alta, mas tinha uma frieza tão cortante que o fez estremecer.

— Nat, me escuta! Eu não sei como essa mulher conseguiu o meu...

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