Capítulo 201 — Acredita em mim
Natalie Weston
O ar simplesmente se recusou a entrar nos meus pulmões.
A cena diante dos meus olhos no meio daquele bistrô parecia uma piada de péssimo gosto, daquelas que a gente reza para ser apenas uma ilusão de ótica provocada pelo cansaço. Mas não era ilusão.
Diana estava colada ao corpo do Lucas. A mão dela repousava descaradamente sobre o peito dele, rente à gola da camisa, enquanto a outra se agarrava ao tecido do terno com uma intimidade que me revirou o estômago.
O rosto daquela mulher estava a poucos centímetros da boca do homem que eu amava, com a respiração suspensa em uma proximidade indecente.
E a primeira coisa que o Lucas conseguiu balbuciar, com os olhos arregalados em puro pânico, foi a frase mais patética que qualquer mulher poderia ouvir:
— Amor, eu posso explicar.
Soltei uma risada seca, sem humor nenhum, sentindo o sangue subir em brasas para as minhas têmporas. Dei meia-volta nos calcanhares antes que a primeira lágrima de humilhação tivesse a chance de escorrer pelo meu rosto.
— Natalie, espera! — a voz dele ecoou pelo salão.
Ouvi o barulho áspero da cadeira de ferro sendo arrastada com violência pelo piso e o som seco de pratos estalando.
— Diana, some da minha frente antes que eu faça uma loucura! — Lucas rugiu, a voz carregada de ódio puro antes de passos pesados e apressados começarem a cortar o restaurante na minha direção.
Não olhei para trás. Acelerei o passo pelo corredor de entrada, empurrei as portas de vidro do bistrô e saí sob o vento fresco do Financial District. O ar livre não aliviou em nada a queimação que tomava conta da minha garganta. Peguei a chave do carro na bolsa com a mão trêmula, destravando o alarme à distância.
— Natalie, por favor, me escuta!
Uma mão firme segurou o meu antebraço antes que eu chegasse à calçada onde o meu cupê estava estacionado. Girei o corpo em um solavanco, puxando o braço com tanta força que o tecido da minha manga estalou.
— Não encosta em mim, Lucas! — disparei, a voz saindo entrecortada, os olhos queimando em pura fúria. — Não encosta um único dedo em mim!

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