Capítulo 208 — Contagem Regressiva
Adrian Foley
Alex achou melhor eu dispensar o Joshua, que era um simples motorista e deixar que o Austin assumisse em seu lugar. Meu amigo acreditava que Diana aparecer no restaurante hoje não era coincidência. Essa cretina estava se movendo, e nós não podíamos vacilar.
O portão de ferro forjado da mansão se abriu sob a vigilância cerrada da guarita. Austin manobrou o sedã pelo pátio de pedra, e assim que o carro parou, desci sem esperar que ele desse a volta.
O ar fresco do final de tarde bateu no meu rosto, mas não foi capaz de dissipar a brasa que queimava dentro do meu peito.
Ver a Natalie naquela maca, com a respiração curta, a costela machucada e a cabeça enfaixada por causa de uma armadilha rasteira, tinha rompido a última camada de paciência que me restava. O pacto com o Lucas no hospital não era apenas um desabafo entre irmãos: era uma sentença de morte executiva.
Cruzei o hall em passadas largas. A casa estava silenciosa, os meus passos eram abafados pelos tapetes. Não fui para a sala de estar, nem subi para a suíte. Segui direto pelo corredor lateral do piso térreo, parando diante da porta de carvalho do escritório.
Bati duas vezes com os nós dos dedos e empurrei a folha sem esperar permissão.
O ambiente funcionava como uma central de operações de guerra. Três monitores panorâmicos projetavam fluxos de dados em tempo real, linhas telefônicas cruzadas e mapas de calor da baía de São Francisco.
Andrew estava de pé junto à mesa lateral, analisando relatórios de despachos portuários. Thomas, com o fone de comunicação no ouvido, mantinha a postura rígida junto à janela de vigia. Chen digitava em uma cadência quase rítmica no teclado mecânico, os olhos semicerrados refletindo o brilho azul das telas.
E no centro de tudo, encostado na borda da mesa com os braços cruzados sobre o peito e uma expressão de pura pedra, estava Alexander Sterling.
Alex ergueu os olhos escuros no instante em que passei pela soleira. Ele não precisou perguntar nada sobre a Natalie; meu amigo era quase onipresente, nada passava dos seus olhos, dos seus ouvidos, ou seja, nada ficava oculto para o senhor Sterling.
— Quando tudo isso acabar, vou sentir falta desse poder militar no meu escritório. — falei assim que passei pela porta.
— Como a Nat está, Ade? — Thomas perguntou em voz baixa, descendo o fone para o pescoço.
— Concussão moderada e uma fissura na costela — respondi, a voz saindo gélida, cortante. — O Lucas ficou com ela no quarto. Ela está estável, mas vai precisar de cuidados rígidos nas próximas semanas.
— A Aline conseguiu o boletim do hospital, e garantiu que vai passar lá mais tarde. Já organizei para o Tom e o Andrew levarem ela e a Cat até lá.
Assenti com um aceno, dei três passos firmes para dentro da sala, parando bem na frente do Alex. Apoiei as duas mãos espalmadas sobre a mesa de madeira, encarando-o no fundo dos olhos.
— Chega de esperar, Alex. Acabou o tempo de contenção. A Diana quase matou a minha irmã hoje. Sei que não foi ela quem causou o acidente, mas ela sabia o que poderia acontecer com a Nat se ela conseguisse desestabilizá-la. Eu quero saber o que falta para derrubar essa mulher e colocar a família Bowers de joelhos. O que ainda precisamos para provar que foram eles que encomendaram o atentado que assassinou os meus pais e os pais da Natalie?
O silêncio na sala ficou denso. Chen parou de digitar por dois segundos, olhando de soslaio para o chefe. Thomas e Andrew trocaram um olhar rápido.
Alexander nem piscou. Ele se desencostou da mesa devagar, mantendo aquela calma pesada, quase aterrorizante, de quem já enfrentou cenários muito piores do que a ganância corporativa.

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