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Cláusula Proibida: O Amor Nunca Fez Parte Do Acordo romance Capítulo 207

Capítulo 207 — Minha Garota

Lucas Avery

O silêncio do quarto foi quebrado apenas pelo bip suave do monitor cardíaco e pelo sopro contínuo do oxigênio. Ver a Natalie tão miúda no meio daqueles lençóis brancos, com o curativo na têmpora e a voz rouca pedindo desculpas, fez o chão tremer sob os meus sapatos.

Adrian não esperou um segundo sequer.

Ele deu passos rápidos até a lateral do leito, ignorando a postura rígida que sempre mantinha. O homem implacável que comandava a holding simplesmente se desfez diante da irmã de criação. Ade se inclinou sobre a cama, apoiando uma das mãos com extrema cautela no colchão e segurando a mão de Natalie com as duas palmas trêmulas.

— Não pede desculpa por nada, minha princesa — a voz dele embargou, quebrando em um sussurro sôfrego. — Pelo amor de Deus, nunca mais me pede desculpa por algo assim.

— Ade... me perdoa — os olhos verdes dela se encheram de lágrimas instantaneamente, brilhando sob a penumbra do quarto. — Eu estava fora de mim... eu entrei em pânico, o trânsito tava rápido demais e... eu só vi a buzina e aquele caminhão na hora do impacto. Eu achei que...

— Shh... já passou, minha princesa. Já passou — Adrian a interrompeu, levando a mão dela aos lábios e beijando os nós dos seus dedos demoradamente, as próprias lágrimas escorrendo livres pelo rosto dele. — Nada disso importa. O carro não importa, o susto não importa. A única coisa que interessa neste mundo é você estar viva, inteira e respirando aqui na minha frente.

Fiquei parado a alguns passos de distância, encostado perto do batente da porta fechada, mantendo as mãos nos bolsos e o coração apertado. A cumplicidade e o laço que aqueles dois compartilhavam desde a infância, forjados na perda dos pais e na dor de crescerem sob a mesma sombra de um atentado, era algo sagrado demais.

Eu não tinha o direito de roubar ou interromper aquele reencontro.

Natalie soluçou baixinho, apertando os dedos do Ade como se precisasse daquela âncora para ter certeza de que o pesadelo havia terminado. Adrian permaneceu ali por longos minutos, sussurrando palavras de conforto no ouvido dela, limpando as lágrimas que desciam pelas bochechas pálidas da irmã e garantindo que tudo já estava sob controle.

Aos poucos, a respiração de Natalie foi se acalmando.

Adrian respirou fundo, ergueu o tronco e limpou o próprio rosto com as costas da mão. Ele olhou para a Nat, depois virou a cabeça e sustentou o meu olhar. Havia respeito e um recado silencioso nos olhos dele.

— Eu vou lá fora falar com o médico sobre a liberação dos medicamentos e avisar o pessoal que você está bem — Adrian avisou, acariciando o topo da cabeça dela com delicadeza. — Vou deixar vocês dois conversarem a sós.

No mesmo segundo, a mão de Natalie se fechou com um pouco mais de força nos dedos do Adrian.

— Não precisa, Ade... fica aqui — ela pediu, a voz soando vacilante, os olhos verdes desviando rapidamente da minha direção.

A recusa sutil dela doeu como um soco no estômago.

Adrian segurou o queixo da irmã com doçura, obrigando-a a encará-lo, e deu um sorriso complacente.

— Precisa sim, Nat. Vocês dois têm coisas para resolver, e você sabe muito bem disso.

Ele se inclinou, beijou com carinho a testa enfaixada dela e deu dois passos em direção à saída. Ao passar por mim, Ade colocou a mão firme no meu ombro, me deu um olhar direto de incentivo e sussurrou:

— Cuida dela.

— Com a minha vida — respondi baixo.

A porta se fechou com um clique abafado, deixando apenas nós dois no quarto.

O silêncio voltou a pesar entre os leitos. Natalie manteve o rosto virado para a janela, fitando o céu acinzentado de São Francisco. Havia uma distância incômoda na postura dela, uma barreira invisível erguida pela mágoa e pela dor que ainda latejava em seu peito.

Aquela frieza vindo da mulher que sempre me olhava com tanta ternura era a pior punição que eu poderia receber.

Caminhei devagar até a cama. Puxei a poltrona estofada de acompanhante e me sentei bem ao lado dela.

Com todo o cuidado do mundo, como se tocasse uma pétala que pudesse se desfazer, estendi a mão e envolvi a mão esquerda dela sobre o lençol. Os dedos dela estavam gélidos. Inclinei meu corpo para a frente, levei a mão dela até a minha boca e depositei um beijo suave e demorado na pele macia.

— Me perdoa, meu amor... — murmurei, sentindo os olhos arderem. — Por favor, me perdoa por tudo. Se eu tivesse me levantado daquela cadeira no primeiro segundo em que aquela víbora se aproximou... se eu tivesse saído daquele restaurante na hora, nada disso teria acontecido. Você não estaria aqui.

Natalie soltou um suspiro pesado, o peito subindo com visível dificuldade por conta da costela fissurada.

— Lucas, por favor... eu não quero falar sobre isso agora — ela sussurrou, a voz cansada, tentando puxar os dedos da minha mão com suavidade, mas sem força suficiente.

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