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Cláusula Proibida: O Amor Nunca Fez Parte Do Acordo romance Capítulo 83

Capítulo 83 — Fragmentos e Restauração

Victoria Clark

Acordei sentindo um vazio incômodo no colchão ao meu lado. Adrian já tinha saído do quarto e eu nem mesmo tinha visto ou ouvido a sua movimentação; o remédio analgésico forte que a Natalie me deu mais cedo tinha me derrubado em um sono profundo.

Me levantei da cama, fui até o banheiro para me arrumar e decidi ir atrás do meu marido, provavelmente ele estaria lá embaixo conversando sobre as burocracias com o Henry.

Mas antes mesmo que eu pudesse sair do quarto, ouvi o som de gritos abafados ecoando pelo corredor. Quando passei pela porta, vi a Natalie gritando em puro desespero, pedindo por ajuda.

Corri na direção dela, entrei no quarto e a cena que se desenhou na minha frente, no primeiro milésimo de segundo, me assustou bastante. Mas no segundo seguinte... Me irritou profundamente. E eu decidi agir da melhor e mais rápida forma possível: sentando o cacete naqueles dois idiotas com a base do abajur.

A minha intervenção funcionou e eles finalmente se separaram. O vovô Victor apareceu no cômodo e colocou os dois marmanjos no devido lugar com a sua costumeira autoridade. Mesmo terrivelmente contrariado, Adrian seguiu a passos largos para o seu quarto e eu fui logo atrás dele.

Assim que entramos, ele foi direto para a frente do espelho do banheiro e, ao encarar o próprio reflexo com o lábio cortado, xingou:

— Babaca!

Cruzei os meus braços sobre o peito e o encarei da porta do banheiro, com uma sobrancelha erguida.

— Eu realmente espero do fundo do meu coração que você esteja falando estritamente do seu reflexo no espelho, Adrian. Se for isso, concordo plenamente com você.

Ele encontrou os meus olhos através do reflexo do vidro e me fuzilou com o olhar de imediato.

— Se for para você começar a assumir a defesa do seu amiguinho Avery, é consideravelmente melhor nem começar a falar, Victoria.

Dei dois passos firmes para dentro do banheiro.

— Eu só assumo defesas quando conheço o caso a fundo, Adrian. Se eu fosse julgar friamente pela cena patética de selvageria que acabei de ver lá no quarto, eu pegava um gato morto e arrebentava vocês dois até o coitado do gato miar!

Ele girou o corpo na minha direção, me encarando.

— Você tem alguma noção do quão estranho, bizarro e ridículo é esse seu comentário agora? — ele perguntou em um tom nítidamente irritado.

— Não tão ridículo e vergonhoso quanto a sua atitude de minutos atrás — rebati.

Ele se virou novamente para a pia, apoiando as mãos no mármore. Caminhei a passos calmos até ele, parando ao seu lado.

— Onde fica o kit de primeiros socorros para cuidarmos desses seus machucados no rosto?

Ele acenou com a cabeça na direção de uma das portas de madeira da bancada.

— Ali naquela porta do armário.

Abri o armário, peguei a caixinha com o antisséptico, gases e algodão e a coloquei em cima da pia.

— Senta na beirada da banheira agora — ordenei.

Ele foi sem reclamar de nada e se acomodou no local. Me aproximei e comecei a limpar os ferimentos do rosto dele.

— Victoria... Devagar. — ele resmungou de leve quando passei o algodão no corte do lábio.

— Está doendo, meu amor? Que pena! — ironizei, apertando o algodão um pouco mais forte no machucado.

— VICTORIA!! — ele esbravejou alto, e eu não consegui conter uma risada.

Aproveitando a minha proximidade, ele passou o braço forte pela minha cintura, puxou o meu corpo para perto e encostou a sua testa diretamente na minha barriga.

— Me deixa terminar de limpar isso primeiro, Adrian... — falei, tentando me afastar de leve, mas ele não deixou, apertando ainda mais o braço ao meu redor.

— Me dá um minuto, Vic... — ele murmurou baixinho, sem se mexer do lugar.

Deixei o algodão e o antisséptico de lado sobre a bancada, curvei o meu corpo e dei um beijo carinhoso no topo da cabeça dele, dando início a afagos suaves no seu cabelo.

— Estou me sentindo um completo idiota... — ele confessou depois de um tempo de silêncio. — Perdi totalmente a minha cabeça. O meu padrinho me daria um sermão gigantesco se estivesse aqui presenciando essa cena.

Senti a pontada genuína de arrependimento e vulnerabilidade na voz dele. Acariciei a sua nuca com carinho.

— Não se preocupe com a falta do sermão dele, amor. O vovô Victor com certeza vai te dar um sermão reforçado por ele e pelo seu padrinho. Pode esperar por isso ansiosamente — comentei, rindo fraco.

Mas ele não riu. Me afastei dele apenas o suficiente para conseguir encarar o azul intenso dos seus olhos.

— Amor, eu ainda não sei absolutamente nada sobre a sua história com o Lucas. Mas tenho a absoluta certeza de que sair no soco com ele não vai resolver e nem apagar o que aconteceu.

Ele bufou, ranzinza.

— Eu disse a verdade para o vovô quando falei que foi aquele desgraçado quem me atacou primeiro! Eu só me defendi!

Arqueei uma das sobrancelhas para ele, descrente.

— Tudo bem... Eu admito que falei algumas coisas para a Natalie que foram totalmente fora de hora... Mas quem saiu do esconderijo do closet como um rato e avançou com tudo em mim foi ele!

Segurei o rosto dele com firmeza entre as minhas duas mãos.

— O que eu disse minutos atrás, eu mantenho, Adrian. Não vou defender nenhum dos dois sem saber de toda a história por trás. Mas se for para vocês ficarem se ofendendo verbalmente ou se pegando no soco toda vez que se cruzarem, resolvam isso de uma vez por todas de forma madura.

Adrian me encarou por segundos longos e intensos demais em silêncio.

— Não tem absolutamente como resolver nada, Victoria. O que aconteceu entre mim e o Lucas no passado destruiu não apenas a nossa amizade de anos de infância, mas toda e qualquer confiança que eu tinha nele. E confiança quebrada é exatamente igual a um vaso antigo e valioso: você pode até colar os pedaços, mas ele nunca mais será o mesmo...

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