“Liz Bianchi”
Quando a porta se fecha atrás de Ettore, o clima no escritório fica pesado. Quase sufocante.
Chiara permanece parada atrás da mesa, o rosto ainda vermelho da discussão com o filho.
Vejo suas mãos tremerem levemente antes de ela cerrá-las em punhos, como se lutasse para recuperar o controle.
Por alguns segundos, parece vulnerável. Quase… humana.
Mas quando seu olhar se fixa em mim, a postura muda. O queixo se ergue. A máscara de superioridade volta ao lugar.
Ela b**e palmas devagar, três vezes, num aplauso sarcástico que ecoa pelo ambiente.
— Bela encenação, me enganou direitinho — ela solta, com um sorriso torto. — Está orgulhosa do estrago que fez?
— Orgulhosa por finalmente ter dado a ele a chance de saber a verdade? — rebato, me aproximando devagar. — Sim. Estou.
— A verdade? — ela ri. Um som frio e amargo. — Você nunca mereceu meu filho. Nunca. E mesmo agora, depois de tudo… ainda não merece.
— Pelo menos agora ele sabe quem é você de verdade.
— Ettore vai me perdoar — ela dispara, com uma confiança que me arrepia. — Ele é fraco nesse ponto. Assim como Victor era. Mas você… você ainda tem um problema bem maior pela frente.
— Que problema?
Chiara se recosta na mesa, o sorriso malicioso de volta aos lábios.
— Esqueceu do que eu te prometi, cara mia? — diz, com a voz doce como veneno. — Meu filho pode até me odiar agora… mas terei o prazer de te ver na pior. Como todo Montesi merece estar.
As palavras me atingem como um soco. Mas algo mais me chama atenção: a forma como ela diz “Montesi”.
Não é só desprezo, como costumava ser.
É ódio. Ódio puro. Pessoal.
De repente, as palavras de Sofia ecoam na minha cabeça. Essa rivalidade não existia antes de Chiara.
— Por que nos odeia tanto? — pergunto, dando um passo à frente. — E não me venha com essa história de futuro do Ettore. Sei que não é só isso.
Chiara me encara. E, por um instante, a expressão dela vacila.
— Sempre foi pessoal, não foi? — continuo, sentindo as peças se encaixando. — Nunca foi sobre proteger seu filho. Era sobre mim. Sobre os Montesi.
— Você não sabe de nada — murmura, mas não nega.
— Então me explique — insisto, arqueando as sobrancelhas — o que te fiz para merecer tanto ódio? Por que quer tanto ver minha família sofrer?
A mudança na expressão dela é sutil, mas perceptível. Por um momento, vejo algo que parece… dor. Antiga e profunda.
Chiara solta um suspiro baixo. Então, lentamente, volta a se sentar, me encarando com uma intensidade que faz minha pele arrepiar.
— A partir do momento em que os Montesi cruzaram a minha vida, todo castigo é pouco — diz, cada palavra carregada de veneno — especialmente para Elena.
Franzo as sobrancelhas, confusa.
— Mas essa… — continua, com um sorriso cruel — a vida já deu um jeito de fazer sofrer, não foi? Uma Montesi orgulhosa, reduzida a… nada. Dependendo dos outros para sobreviver.

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