“Liz Bianchi”
Nos braços de Ettore, finalmente sinto o peso de três anos de mentiras saindo dos meus ombros.
Mas quando ele se afasta um pouco para me encarar, vejo algo em seus olhos que me faz perceber que ainda há perguntas sem resposta.
— Liz, o que você conversou com a minha mãe? — ele pergunta, acariciando meus cabelos. — Ela tentou te ameaçar de novo?
Hesito. Não pela ameaça, porque agora que Ettore finalmente sabe a verdade, isso já não me amedronta mais.
Mas, por não saber se devo ou não contar o que conversamos. Ettore já tem motivos mais do que suficientes para estar furioso com Chiara.
— Liz? — ele insiste, percebendo minha hesitação. — O que foi?
— É sobre sua mãe — digo, por fim. — Ela me disse uma coisa quando ficamos sozinhas no escritório.
— O quê?
— Pode parecer loucura, mas… acho que o ódio dela pela minha família vai muito além do que imaginamos — explico, vendo a confusão surgir no rosto dele. — Algo me diz que ela não fez tudo isso só para proteger seu futuro, Ettore. Esse ódio é pessoal.
— Como assim, pessoal?
— Ela disse que, a partir do momento em que os Montesi cruzaram a vida dela, todo castigo era pouco — continuo, sentindo um arrepio. — Especialmente para minha mãe.
— Para a Elena? — ele franze as sobrancelhas.
— Chiara mencionou minha mãe pelo nome — confirmo. — Disse que a vida já deu um jeito de fazê-la sofrer… se referindo ao coma.
— Isso não faz sentido — ele balança a cabeça. — Nossas famílias sempre tiveram uma rivalidade comercial, mas nunca foi nada pessoal. Pelo menos, não que eu saiba.
— A Sofia me disse o mesmo — digo, me lembrando da conversa que tivemos. — Que no começo era só concorrência normal. Mas que algo mudou quando Chiara entrou na vida do seu pai.
Ettore fica em silêncio por um momento, processando.
— Você acha que minha mãe conhecia sua família antes de a gente se envolver?
— Não sei — admito. — Mas, pelo jeito como ela falou… parece que sim. Parece que há uma história que nenhum de nós conhece.
Ettore passa a mão nos cabelos, pensativo. Quase consigo ver seus pensamentos tumultuados, tentando digerir tudo que descobriu.
— Me desculpa por causar todo esse caos — murmuro, quase num sussurro. — Só… só queria que você soubesse que há mais por trás disso tudo.
— Não se desculpe — ele diz, firme, segurando minha mão e beijando meus dedos. — Você não causou caos nenhum. Quem fez isso foi a minha mãe.
— Ettore, não quero que você… corte totalmente sua relação com ela por minha causa — admito. — Sei que ela fez coisas terríveis, mas ainda é sua mãe. E se um dia você se arrepender…
— Liz — meu marido segura meu rosto com as duas mãos, me forçando a encará-lo. — Ela não me perdeu por sua causa. Ela se perdeu pelas próprias escolhas. Agora, vai ter que viver com as consequências. Mas ela não vai mais interferir na nossa vida, Liz. Eu te prometo isso.
— Como você pode ter tanta certeza?
— Porque agora ela perdeu todo o poder que tinha sobre nós — responde, acariciando minha bochecha. — O segredo que ela usava para te chantagear não existe mais. E eu… não vou fingir que ainda tenho uma mãe que não merece esse título.

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