“Liz Montesi”
Novamente encaro meu reflexo como quem observa uma estranha. Giulia prende o último grampo no meu cabelo, mas nada consegue segurar a bagunça que está aqui dentro.
— Pronto, perfeita — Giulia diz, ajeitando uma mecha rebelde. — Ninguém diria que trocamos o vestido às pressas.
— Obrigada por tudo, Giu — agradeço, olhando no espelho uma última vez.
O vestido rosa-claro, quase branco, cai suavemente ao redor do meu corpo. Uma ironia do destino que me faz sorrir com amargura.
Desenhei esse vestido para uma festa da Montesi. Elegante demais, solene demais… quase como um vestido de noiva.
E hoje ele vai cumprir exatamente esse papel.
— Amiga… — ela me chama quando me afasto para pegar o buquê. — Você vai mesmo engolir tudo calada?
— É melhor assim — respondo, pegando o arranjo de lírios-brancos. — Se algum dia eu voltar a ver o antigo Ettore, talvez eu tenha coragem de contar. Mas essa nova versão dele… — hesito, respirando fundo para não chorar. — Essa não merece outro sacrifício meu.
Giulia respira fundo, me lançando um olhar que parece ler a minha alma.
— Você ainda o ama — diz, sem rodeios.
Não nego. E ela não insiste. Nós duas sabemos que sim.
A porta do quarto se abre, interrompendo nosso momento. Meu pai entra, vestido em seu melhor terno.
— Está na hora — diz, estendendo o braço.
— Estarei no altar, amiga — Giulia sussurra, lançando um olhar atravessado para meu pai, como se quisesse jogar o buquê na cara dele. Depois, sai.
Respiro fundo, tentando acalmar o coração acelerado antes de sair do quarto de braços dados com meu pai.
Enquanto caminhamos em direção ao jardim onde a cerimônia será realizada, o silêncio pesa entre nós.
— Sabe, sonhei muitas vezes com o dia em que levaria você ao altar — meu pai comenta, de repente.
— Sonhou tanto que precisou me vender para realizar isso — murmuro, sem conseguir disfarçar a amargura.
— Não seja ingrata, Liz — responde, apertando meu braço com força. — Fiz o que precisava ser feito para salvar nossa empresa. O mesmo que qualquer Montesi faria.
— E, em troca, me vendeu para carregar outro sobrenome.
— Um sobrenome que atualmente vale mais que o nosso no mercado — rebate, com um sorriso que cheira a lucro. — Lembre-se disso enquanto estiver sorrindo para as câmeras.
Quando a música começa e as portas do jardim se abrem, todo mundo se levanta. Menos eu. Por dentro, eu só queria correr na direção oposta, mas minhas pernas continuam andando.
O espaço está impecavelmente decorado com flores brancas e quase sorrio verdadeiramente ao ver o resultado.
Apenas familiares próximos e alguns executivos importantes estão sentados nas cadeiras. Poucos convidados, exatamente como uma cerimônia íntima exige.
Para minha surpresa, Chiara está sentada na primeira fila. Embora seu rosto pareça indiferente, seus olhos me lançam um desprezo que é quase palpável.


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