Sua respiração quente contra minha pele provoca um calor que sobe pelo meu pescoço e, com o sorriso malicioso de Giulia, sei que estou corada.
— Nos falamos amanhã, amiga — Giulia murmura, ainda sorrindo. — Aproveite sua… noite.
Estreito os olhos em direção a ela, me levantando lentamente. Ettore contorna a mesa e estende a mão, esboçando um sorriso.
— Vamos, querida?
— Claro — respondo, aceitando sua mão.
De braços dados, atravessamos o salão enquanto nos despedimos de algumas pessoas, recebendo abraços e votos de felicidade que parecem piadas cruéis diante da nossa realidade.
Quando estamos quase chegando à saída, Isabella surge à nossa frente, bloqueando o caminho.
— Os noivos já estão indo? Mal tive tempo de parabenizar a noiva — diz, num tom doce demais para ser sincero. — Me desculpe por isso, Liz. Sabe como é, Ettore e eu temos tantos assuntos que acabei me esquecendo.
— Obrigada, Isabella — respondo, forçando o sorriso mais sincero que consigo, repetindo o que disse várias vezes. — Sua presença significou muito para nós.
— Devo dizer que sua escolha de vestido foi… interessante para um casamento — ela comenta, me avaliando de cima a baixo. — Tão informal. Parece ter sido escolhido às pressas.
Sinto a provocação em suas palavras. Certamente, a minha adorável sogra contou orgulhosamente a ela sobre o que fez ao meu vestido oficial.
— Algumas pessoas preferem a simplicidade ao invés da ostentação — respondo, no mesmo tom doce. — Mas, já que comentou sobre vestidos… vermelho é uma cor ousada para um casamento. Chama bastante a atenção para si.
Isabella pisca, tentando manter a pose, mas seu sorriso vacila por um segundo. Pequeno, quase imperceptível.
Vitória.
Antes que ela pudesse retrucar com mais alguma alfinetada, Ettore limpa a garganta e me puxa para mais perto.
— Com licença, Isabella — ele diz, educadamente falso. — Minha esposa e eu temos… compromissos urgentes.
Sem esperar respostas, ele praticamente me arrasta para fora do salão, mantendo um sorriso fixo para os fotógrafos que ainda nos aguardam na saída.
O vento frio da noite nos recebe assim que chegamos do lado de fora e finalmente consigo respirar com tranquilidade.
Ettore chama o motorista com um gesto rápido, mas é ele quem abre a porta da limusine para mim.
Enquanto entro, sinto o olhar dele nas minhas costas, como se estivesse mapeando cada centímetro do que agora, oficialmente, é dele.
Ettore se senta ao meu lado, me inebriando com seu perfume, e o carro logo começa a se mover. As ruas iluminadas passam lá fora, mas nem isso me distrai.
— Você se saiu muito bem lá dentro — ele comenta, num tom baixo, quase preguiçoso.
— Você também — respondo, seca, virando o rosto para encará-lo. — Quase acreditei que estava feliz.
Ele não responde, apenas desvia o olhar para a janela.
Quando a limusine estaciona em frente ao hotel, Ettore desce primeiro e, como um marido atencioso, estende a mão para me ajudar. Aceito, tentando ignorar o arrepio que seus toques sempre provocam.
Atravessamos o saguão sem trocar palavras, recebendo olhares curiosos de hóspedes e funcionários.

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