Congelo diante das palavras dele. Agora, com seus lábios quase roçando nos meus, é impossível não sentir a tentação de pedir exatamente por isso, mesmo contra minha vontade.
— Você está… — murmuro, incapaz de terminar a frase.
— Estou o quê?
Ele se afasta ligeiramente, o suficiente para que seus olhos acompanhem cada reação minha, mas ainda perto o bastante para que eu não consiga raciocinar direito.
— Muito enganado — finalmente consigo sussurrar. — Não vou pedir. Então, pare de me provocar.
Ettore esboça um sorriso malicioso, me fazendo perceber que ele sabe exatamente o que está fazendo comigo.
— Talvez eu esteja… — admite, levantando a mão para tocar meu rosto, deslizando o polegar pela minha bochecha. — É tão fácil te provocar, Piccola.
O apelido, dessa vez dito sem a frieza habitual, faz meu coração acelerar ainda mais, se é que é possível.
— Não me chame assim — peço, fechando os olhos por um instante.
— Por quê? — ele questiona, aproximando-se ainda mais. — Porque te lembra de quando éramos reais? De quando você fingia me amar?
— Nunca fingi — as palavras escapam antes que eu possa contê-las.
Ettore não responde, mas sua respiração se torna mais pesada. Quando abro os olhos novamente, o sorriso desapareceu, substituído por uma expressão que não consigo decifrar.
Há um conflito silencioso entre nós. Estamos na beira de um precipício, e um passo em falso é tudo o que nos falta para cair.
Coloco minhas mãos no peito dele, decidida a afastá-lo, mas desisto quando sinto seu coração acelerado sob meus dedos.
Talvez ele não esteja tão indiferente quanto tenta parecer.
Abro a boca, como se fosse tentar justificar o porquê preciso me afastar, mas antes que eu consiga inventar uma desculpa, ele une nossos lábios.
Não é um beijo calmo como foi no altar. É intenso, possessivo, carregado de toda a raiva e desejo que ele parece conter há muito tempo.
Minha mente grita para me afastar, mas meu corpo responde automaticamente. É errado, mas simplesmente não consigo resistir.
Meus braços se prendem ao seu pescoço, minhas mãos se emaranham em seus cabelos, e o vestido cai entre nós.
Ele me puxa para mais perto, uma mão na minha cintura, a outra na minha nuca. Nossos corpos se encaixam perfeitamente, como se o tempo nunca tivesse passado.
E então, tão repentinamente quanto começou, meu marido se afasta. Abro os olhos e encontro seus olhos escuros, sua respiração tão ofegante quanto a minha.
— Isso foi um erro — diz, seco, passando a mão entre os cabelos escuros. — Não vai acontecer de novo.
A frieza em seu tom é como um balde de água gelada, me trazendo de volta à realidade com uma força cruel.
— Um erro — repito, tentando controlar o tremor na minha voz. — Claro.
Viro de costas, incapaz de encará-lo por mais um segundo. Não vou permitir que ele veja como suas palavras me afetam, como cada rejeição abre novas feridas sobre as antigas que nunca cicatrizaram.
— Vou tomar banho — digo, tentando soar indiferente.
Mas ele não toca.
Nem sequer olha.
Me deito na enorme cama, escolhendo o lado mais distante possível, e puxo as cobertas até o queixo, como se pudessem me proteger.
Algum tempo depois, ouço a porta do banheiro abrir. Mantenho meus olhos fechados, fingindo que já dormi, enquanto ouço seus passos pelo quarto.
— Sei que você está acordada — ele murmura, num tom baixo, se deitando ao meu lado.
Não respondo, nem abro os olhos. Não confio na minha voz agora.
— O beijo… — ele começa, hesitante, quase como se estivesse escolhendo cada palavra.
— Foi um erro — corto, virando-me de lado, de costas para ele. — Já entendi, não precisa repetir. Boa noite, Ettore.
Ouço um suspiro pesado, mas ele não insiste.
— Boa noite, Sra. Bianchi — responde, a frieza voltando como uma parede entre nós.
Fecho os olhos e deixo uma última lágrima escorrer silenciosamente pelo meu rosto.
Amanhã será outro dia, outro ato dessa peça cruel que concordei em encenar.
Só não esperava que fosse doer tanto.

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