A luz do sol atravessa as frestas da cortina e me acorda de um sono que demorou a chegar.
Abro os olhos devagar, tentando me situar. O luxo do quarto de hotel me lembra depressa: estou casada. Com Ettore Bianchi.
Viro o rosto e encontro o lado da cama vazio, os lençóis frios. Respiro aliviada. Não estou pronta para encará-lo depois de ontem à noite. Depois daquele beijo.
Balanço a cabeça, tentando não reviver o momento, mas é inútil. Os flashes da noite anterior voltam como um filme em câmera lenta.
O beijo.
O desejo.
A humilhação de ser rejeitada.
Minha mão toca instintivamente a aliança no dedo, sentindo o peso frio do metal contra a pele. Um contrato selado. Uma prisão dourada.
Ouço a porta do banheiro se abrir e meu coração dispara. Penso em fechar os olhos, fingir que ainda estou dormindo, mas já é tarde.
Ettore surge no quarto, de calça social e camisa branca, o cabelo ainda úmido do banho.
Por um instante, ele se parece com aquele veterano despreocupado por quem me apaixonei na universidade. Mas só por um instante.
— Bom dia — ele diz, com a voz fria, como se não tivesse me beijado algumas horas atrás.
— Bom dia — respondo, puxando o lençol até o queixo, como se ele nunca tivesse me visto assim.
Ele me encara por um momento, como se estivesse ponderando algo, mas logo desvia o olhar e pega o celular na mesinha de cabeceira.
— Pedi o café da manhã — comenta, casual. — Deve chegar em alguns minutos.
Assinto em silêncio, esperando que ele saia do quarto para eu poder levantar. Mas, claro, ele faz o oposto: se senta na beira da cama e começa a mexer no celular.
Respiro fundo, engolindo a vontade de expulsá-lo, e finalmente me levanto. Pego o roupão para cobrir a camisola, sentindo seu olhar me acompanhar.
Após pegar outra roupa na mala, entro no banheiro e fecho a porta, perdida em um único pensamento: o que faço agora?
Como agir quando tudo o que vejo, cada vez que olho para ele, é o beijo de ontem, seguido da rejeição que me humilhou mais do que eu gostaria de admitir?
— Sou a maior idiota do mundo — murmuro, enxugando o rosto.
Quando volto para o quarto, já vestida, o café da manhã está servido na varanda. Ettore está sentado à mesa, lendo algo no tablet.
— Café? — oferece, sem nem levantar os olhos da tela.
— Por favor.
Ele serve uma xícara e a empurra na minha direção. Nossos dedos se tocam de leve e uma corrente elétrica atravessa meu corpo.
Recuo rápido, me odiando por ainda reagir a ele como uma adolescente apaixonada.
O silêncio se instala, cortado apenas pelo som da minha colher batendo na porcelana. Ele finge ler, eu finjo que estou inteira.
— Precisamos conversar sobre ontem à noite — ele finalmente diz, deixando o tablet de lado.
Levanto os olhos da xícara, tentando me manter indiferente, mesmo com o coração dando cambalhotas.


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