Ettore mantém os olhos fixos nos meus, como se tentasse ler o que se passa na minha cabeça.
Seu rosto continua tranquilo, mas seu olhar muda, se torna mais frio, mais calculado.
— Podemos ir embora? — pergunto, num tom mais baixo do que eu gostaria.
— Não — responde calmamente, tomando um gole de vinho. — Acabamos de pedir a sobremesa.
Lanço-lhe um olhar irritado, percebendo o brilho satisfeito em seus olhos. Ele está gostando disso, claro que está. Mais uma oportunidade de me ver vulnerável, desconfortável.
— Como quiser — respondo, tentando aparentar uma calma que está longe de existir.
Seguro o guardanapo com força, tentando controlar a ansiedade que cresce dentro de mim.
O que deveria ser uma refeição tranquila após um dia caótico se transformou em mais um teste. Mais uma tortura.
Desvio o olhar para Marco, que agora está sentado em uma mesa próxima. Ele não nos viu, mas é só uma questão de tempo. O sócio ao lado dele provavelmente já me reconheceu.
E então acontece. Marco finalmente me vê.
Seus olhos se fixam em mim, e um sorriso surge em seu rosto. Um sorriso que conheço bem demais, aquele que ele dá só para deixar claro que não gostou.
— Teremos companhia em breve, amore mio — Ettore murmura, sem disfarçar o prazer na voz quando vê Marco se levantando.
Meu ex caminha em nossa direção com a confiança de quem se acha intocável. Sempre foi assim, mesmo antes de eu descobrir sua verdadeira face.
— Liz Montesi! — exclama ao chegar à nossa mesa. — Ou devo dizer, Bianchi agora?
— Marco — respondo secamente, forçando-me a encará-lo. — Que surpresa desagradável.
— E tão surpreendente quanto seu casamento relâmpago, certo? — ele rebate, desviando o olhar para Ettore. — E esse deve ser o ilustre Ettore Bianchi.
Sinto o sangue gelar nas minhas veias. Ettore permanece indiferente, mas percebo como seus dedos apertam ligeiramente o talher e como seu maxilar se tensiona.
— Infelizmente, não posso dizer o mesmo — Ettore responde, estendendo a mão num gesto educado que não engana ninguém.
— Bem, vocês dois formam um casal interessante — Marco continua, ignorando a tensão clara. — Mas se me permite um conselho, Ettore, tome cuidado. Liz costuma usar homens como nós e depois descartá-los quando não servem mais.
O encaro por um momento, imaginando mil maneiras de fazer Marco engolir suas palavras. No entanto, todas terminam comigo nas capas dos jornais amanhã.
Dois sobrenomes manchados de uma vez só.
Ettore certamente me mataria com a ajuda do meu pai.
Então, ao notar meu silêncio, uma risada seca escapa dos lábios de Ettore, fazendo Marco olhar para ele confuso.
— Homens como nós… — Ettore repete, como se a fala de Marco fosse uma piada. — Graças a Deus, não tenho nada em comum com alguém como você.
O rosto de Marco se transforma em uma mistura de surpresa e raiva. Os clientes das mesas próximas começam a lançar olhares curiosos em nossa direção.
— Você sabe com quem está falando? — ele pergunta, perdendo completamente a compostura.

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