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Comprada Pelo Meu Ex Bilionário romance Capítulo 33

Uma semana se passou desde aquele dia caótico, desde aquela noite de farpas trocadas nas escadas. Sete dias de silêncio educado e distância proposital.

É como se tivéssemos estabelecido uma trégua não verbal, cada um mantendo-se em seu território.

Ettore no escritório, eu no quarto. No café da manhã, interpretamos nossos papéis com perfeição diante dos empregados e seguimos com vidas separadas que raramente se cruzam.

Na empresa, é a mesma coisa. Educação fria, profissionalismo exagerado. Como se aquela noite tivesse esgotado todas as emoções possíveis entre nós.

É estranho como um único dia caótico parece ter valido por sete dias monótonos. Como se o universo tivesse decidido nos dar um breve respiro antes da próxima tempestade.

E a próxima tempestade, aparentemente, é uma viagem de negócios à Suíça.

— Liz, essa blusa já está implorando por misericórdia — a voz de Giulia me arranca dos pensamentos.

Olho para a peça em minhas mãos, que de fato dobrei e desdobrei tantas vezes que agora está completamente amassada.

— Acabei me distraindo — murmuro, colocando-a na mala.

— Ainda digerindo a ideia de viajar sozinha com seu marido? — pergunta, dobrando mais uma blusa. — Por falar nisso, será que vocês vão sobreviver?

— Muito engraçado.

— Estou falando sério! — ela insiste, colocando a blusa na mala. — Vocês mal conseguem ficar na mesma sala sem que o ar fique pesado.

— É apenas uma viagem de trabalho — murmuro, tentando parecer mais despreocupada do que realmente estou. — Três dias, no máximo. Vamos à feira, cumprimos o cronograma e voltamos. Simples assim.

— Quando foi que algo envolvendo você e Ettore Bianchi foi simples? Vocês dois são complicados até respirando.

— É uma viagem profissional, Giu — insisto, revirando os olhos. — Não vai acontecer nada.

— Claro, porque nada nunca acontece em viagens de negócios — ela rebate, com um tom irônico. — Especialmente quando envolve um quarto de hotel e um casal com o histórico de vocês.

— Quartos separados — corrijo. — E não somos um casal, somos… sócios.

— Ah, entendi. É assim que estamos chamando agora?

Reviro os olhos novamente, decidindo não alimentar mais essa conversa. Giulia sempre teve essa capacidade irritante de apontar exatamente o que eu não quero enxergar.

Eu e Ettore. Sozinhos, em um lugar onde não vamos precisar fingir o tempo inteiro…

— Nada acontecerá — murmuro para mim mesma, mas é claro que Giulia ouve e solta uma risada descrente.

Meu celular vibra sobre a cômoda, interrompendo qualquer nova provocação. Pego o aparelho e encontro uma mensagem de Ettore.

“O motorista estará nos esperando em vinte minutos.”

— Por que ele não te avisou pessoalmente? — Giulia comenta, espiando a tela.

— É melhor assim — respondo, terminando de fechar a mala. — Sem rodeios.

— É, porque vocês dois já têm rodeios demais na vida — ela rebate, me ajudando com a mala. — Só tome cuidado, ok? Não deixe que ele te magoe mais do que já fez.

É quase um alívio quando finalmente chegamos. Passamos pelo check-in, pelos procedimentos de segurança e seguimos até o portão de embarque.

Ettore se senta ao meu lado, mas é como se estivesse do outro lado do aeroporto. Enquanto ele se distrai com uma ligação de trabalho, observo seu perfil.

Maxilar travado, postura rígida, olhar frio. Tudo nele grita distância. Como se estivéssemos destinados a passar esses dias na Suíça como estranhos educados.

E a ideia me incomoda mais do que deveria.

Quando finalmente embarcamos e nos acomodamos em nossos assentos na primeira classe, tomo uma decisão impulsiva.

Se vamos estar juntos por três dias, não podemos continuar nesse gelo.

— Ettore — chamo, reunindo coragem. — Se vamos passar os próximos dias juntos, precisamos quebrar esse silêncio. É… cansativo.

Ele finalmente desvia a atenção dos documentos que já começou a examinar para me encarar, a expressão neutra, quase entediada.

Seus olhos azuis me estudam por um momento, e percebo que ele está avaliando minhas intenções.

— O que você sugere? — pergunta, por fim.

— Uma trégua — respondo, estendendo minha mão para ele. — Pelo menos enquanto estivermos em Zurique.

Ettore observa minha mão como se ela pudesse conter uma armadilha. Então, para minha surpresa, seus lábios se curvam em um quase sorriso.

— Uma trégua — repete, apertando minha mão com firmeza. — Pelo menos em Zurique.

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