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Comprada Pelo Meu Ex Bilionário romance Capítulo 34

“Ettore Bianchi”

Observo Liz adormecida no assento ao lado, a cabeça levemente inclinada em minha direção. Ela respira suavemente, a expressão serena.

Parece tão tranquila agora, tão diferente da mulher tensa que embarcou há meia hora.

O avião balança com uma leve turbulência, fazendo-a se mover. Então, num gesto que me pega de surpresa, sua cabeça repousa sobre meu ombro.

Levanto a mão, instintivamente, para ajeitá-la e evitar que ela acorde com dor no pescoço, mas paro no meio do gesto.

— Por que estou me preocupando com isso? — murmuro, recuando a mão e voltando a pousá-la sobre a perna.

Alguns minutos depois, o piloto anuncia o início da descida.

— Liz — chamo, num tom baixo, tocando de leve seu braço. — Estamos chegando.

Ela abre os olhos lentamente, um pouco desorientada no primeiro momento. Quando percebe que estava praticamente deitada sobre mim, se afasta depressa.

— Desculpa — murmura, ajeitando-se no assento. — Nem percebi que dormi.

— Você parecia cansada — respondo com a neutralidade bem ensaiada. — Achei melhor não te acordar.

Um breve silêncio se instala entre nós, mas diferente do que nos acompanhou na última semana.

Ainda não é confortável — longe disso. Mas desde a proposta de trégua, ele parece menos cortante.

— Qual é o cronograma para hoje? — ela pergunta, tentando adotar um tom profissional enquanto arruma o cabelo.

— Hotel, descanso… temos o resto do dia para revisar a apresentação e nos preparar — explico, conferindo o relógio. — A feira começa só amanhã.

Ela assente e percebo um traço de alívio atravessando seu rosto.

Liz sempre foi assim: precisa de tempo para organizar os pensamentos, se preparar com antecedência. Algumas coisas não mudam, mesmo com os anos.

Após pegarmos nossas malas e seguirmos de táxi até o hotel, finalmente paramos em frente ao Grand Zurich.

— Bem-vindos ao Grand Zurich — cumprimenta a recepcionista com um sorriso educado.

— Temos uma reserva em nome de Bianchi — informo, entregando meu passaporte.

— Só um instante — diz a loira atrás do balcão, digitando rapidamente. — Suíte reservada para o senhor e a senhora Bianchi, com chegada prevista para hoje.

— Uma suíte? — Liz murmura ao meu lado, surpresa. — Pensei que seriam quartos separados.

A recepcionista olha de um para o outro, visivelmente confusa.

— Há algum problema com a reserva? — pergunta, educada.

— Não — respondo antes que Liz possa protestar. — Está tudo certo.

Ela assente, ainda com as sobrancelhas franzidas, mas continua com o check-in. Poucos minutos depois, nos entrega o cartão-chave do quarto.

No elevador, sozinhos, Liz me encara como se estivesse decidindo o melhor jeito de me enforcar.

— Uma suíte? — dispara, irritada. — Sério, Ettore? Isso é uma viagem de negócios!

— Era o que estava disponível — respondo, mantendo o tom neutro. — A feira lotou a cidade. Tivemos sorte de conseguir um quarto.

Ela me lança um olhar desconfiado, mas não insiste. Melhor assim.

Não tenho paciência — nem disposição — para explicar que não, isso não foi um jogo ou manipulação. Foi o que minha assistente conseguiu reservar com o pouco tempo que tínhamos.

Quando entramos na suíte, observo o espaço amplo e elegante. Sala de estar, um pequeno escritório, banheiro… e, claro, uma única cama.

Quando volto ao quarto, encontro Liz concentrada em seu caderno, sendo exatamente a designer que sempre foi — a que prefere o papel em vez das telas para organizar as ideias.

Durante algumas horas, trabalhamos em uma harmonia surpreendente.

A criatividade dela complementa minha estratégia com uma naturalidade que chega a ser irritante.

Quando enfim encerramos, o céu começa a escurecer. Não só pelo entardecer, mas pelas nuvens carregadas que se acumulam no horizonte.

— Parece que teremos tempo ruim — comento, olhando pela janela.

— Espero que não atrapalhe a feira — ela diz, esticando os braços para aliviar a tensão.

O momento é interrompido pelo toque do meu celular. Max.

— Tenho más notícias — diz, direto ao ponto. — A tempestade prevista para a próxima semana se adiantou. As previsões indicam que ela chega a Zurique ainda hoje.

— Quão ruim?

— Ruim o suficiente para fecharem o aeroporto nas próximas horas. Vocês podem ficar presos aí por um ou dois dias.

Olho para a janela no instante em que as primeiras gotas grossas começam a atingir o vidro.

Quando desligo, percebo Liz me observando com curiosidade.

— Algum problema? — pergunta, ao notar minha expressão.

— Uma tempestade está chegando.

Claro que está. Porque desde que ela voltou para minha vida, nenhuma previsão tem sido confiável mesmo.

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