Entrar Via

Comprada Pelo Meu Ex Bilionário romance Capítulo 36

“Ettore Bianchi”

O quarto parece encolher conforme as horas passam. Lá fora, a neve cai implacável, transformando Zurique em uma cidade fantasma coberta de branco.

— Ettore — Liz me chama, fechando a revista que folheava distraidamente. Quando me viro para encará-la, ela continua: — O que faremos agora que a feira foi cancelada?

A encaro por um momento, avaliando as opções, mas ao olhar para ela assim, tão à vontade, minhas ideias não são as melhores. Que porra de tentação é essa?

— Podemos aproveitar o tempo para aprimorar a apresentação — sugiro, afastando os maus pensamentos.

Liz solta uma risada breve, sem humor.

— Claro, porque já não bastasse estar presa em um quarto, ainda precisamos continuar focados no trabalho — ironiza, levantando-se da poltrona em um movimento lento. — Sabe o que eu realmente quero agora?

— Me surpreenda.

— Um vinho para me aquecer — responde, caminhando até o minibar no canto da suíte.

Observo-a abrir uma garrafa de vinho tinto, servindo o líquido vermelho em duas taças.

— E esquecer o trabalho, a neve, o confinamento… — diz, me oferecendo uma taça enquanto segura a outra.

Minha esposa toca sua taça na minha, me encarando por um momento. Seu olhar reflete algo que não consigo decifrar.

— E de você — completa a provocação, dando um gole generoso em seu vinho.

Me permito um pequeno sorriso ao vê-la tão descontraída.

— Essa última opção vai ser tão fácil assim? — provoco, levando a taça aos lábios.

Ela se acomoda no sofá, cruzando as pernas antes de equilibrar a taça entre os dedos.

Há algo no modo como a luz suave do abajur ilumina seu rosto que me transporta para outra época, para outro lugar.

— Lembra da primeira vez que bebemos vinho juntos? — pergunto, sem pensar.

Liz me olha, surpresa pela menção direta ao nosso passado.

— Naquele restaurante perto da universidade — responde, após um momento. — Você derrubou metade da garrafa tentando abri-la.

— E você disse ao garçom que era uma técnica moderna de aerar o vinho — completo, sorrindo ao lembrar.

Liz também sorri — um sorriso genuíno que atinge os olhos. Um dos raros que vi em seu rosto desde que ela voltou para a minha vida.

— Ele fingiu acreditar, pobre rapaz.

Nos calamos por um momento, mas o vinho ajuda a dissolver o gelo que ainda resta. A primeira taça termina rápido demais. A segunda, só percebo quando começo a servir novamente.

— Era um Brunello, não era? — ela pergunta, voltando ao assunto enquanto encho sua taça.

— Sim — confirmo, surpreso por ela lembrar desse detalhe. — Um Brunello de 2008.

— Muito melhor que este — ela comenta, apontando o vinho na minha mão.

— Definitivamente.

Bebemos em silêncio, cada um mergulhado nas próprias memórias. A neve lá fora abafa os sons da cidade, como se estivéssemos numa bolha suspensa no tempo.

Liz gira o líquido na taça, observando como a luz atravessa o vinho. Quando seus olhos encontram os meus, há algo diferente ali. Algo mais suave. Quase vulnerável.

— Isso quer dizer que interrompi alguma coisa?

Olho para Liz, que agora está de costas, caminhando em direção ao quarto.

— Nada aconteceu — respondo, tenso. — Mas por pouco.

— Então eu devia me orgulhar ou lamentar?

— Ainda não decidi. — Encaro a tempestade pela janela. — O que você quer?

— Você me pediu para ligar com a atualização da reunião, lembra?

— Amanhã.

Desligo antes que ele possa responder e guardo o celular no bolso. Quando volto para a sala, Liz não está mais lá.

A encontro no quarto, já deitada. Está de costas, imóvel. Talvez dormindo. Talvez fingindo. Talvez apenas tentando fugir daquilo que quase aconteceu.

E talvez seja melhor assim. O vinho, a neve, o isolamento — tudo conspira para algo que, no fundo, sei que só tornará nossa situação ainda mais complicada.

Me deito ao lado dela, mantendo uma distância respeitosa, embora tudo em mim deseje o contrário.

— Obrigado — murmuro para o teto, sem esperar que ela escute. — Obrigado por ir dormir. Porque dessa vez… eu não teria me segurado.

Mas quando ela se move sutilmente, como se quisesse confirmar que ouviu, uma nova pergunta toma forma:

Hoje fomos interrompidos… mas o que ainda vai nos impedir antes que o inevitável aconteça?

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprada Pelo Meu Ex Bilionário