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Comprada Pelo Meu Ex Bilionário romance Capítulo 38

“Ettore Bianchi”

Os lábios dela sempre foram assim. Suaves. Quentes. Viciantes. Talvez seja por isso que eu nunca consigo resistir a eles.

O beijo começa lento, quase hesitante, como se ambos esperássemos descobrir quem vai parar dessa vez. Mas logo se aprofunda, carregado da urgência que nenhum de nós consegue controlar mais.

Minhas mãos descem até sua cintura, puxando-a para mais perto. Seus braços se enroscam ao redor do meu pescoço e seu perfume me envolve — familiar, intoxicante.

Não é o primeiro beijo desde que nos reencontramos. Mas é diferente. Não é um teste. Não é provocação. Não é descuido.

É rendição.

— Ettore — ela sussurra contra meus lábios.

Não respondo com palavras. Nada que eu diga agora faria mais sentido do que isso. Em vez disso, aprofundo o beijo, deixando meu corpo dizer o que minha mente ainda se recusa a admitir.

Caminhamos às cegas pelo quarto, tropeçando nos móveis, rindo baixinho quando esbarramos na mesa.

É surreal como a intimidade retorna com tanta facilidade, como se o tempo nunca tivesse passado. Como se nunca tivéssemos nos separado.

Quando suas pernas tocam a cama, ela para por um instante. Seus olhos fixam-se nos meus. Há uma pergunta silenciosa neles.

— Tem certeza? — pergunto, mesmo não vendo nenhum sinal de hesitação em seus olhos.

Sua resposta é puxar minha camisa e unir nossas bocas em um beijo intenso, enquanto caímos juntos sobre o colchão.

Sem desfazer o contato dos nossos lábios, minhas mãos deslizam por sua pele, redescobrindo cada detalhe que achei ter esquecido.

Sua blusa desaparece primeiro, depois a minha. A sensação da sua pele quente contra a minha é como voltar para casa depois de uma longa ausência.

— Senti sua falta — as palavras escapam antes que eu possa contê-las. Sinceras demais para o homem que prometi ser.

Liz congela por um segundo, surpresa estampada no rosto. Então sorri — aquele sorriso que sempre foi minha ruína.

— Eu também — admite, traçando meu maxilar com os dedos.

Volto a beijar cada centímetro da sua pele exposta, como se estivesse reaprendendo. Como se cada parte dela ainda fosse minha. As sardas na nuca. A cicatriz quase invisível abaixo do umbigo.

Os lugares que a fazem suspirar. Os que a fazem tremer.

— Tão linda — murmuro contra sua pele. — Sempre tão linda.

Aos poucos, nossas roupas vão parar no chão. Mas quando estamos quase nus, quando o calor se torna sufocante e a necessidade, quase insuportável, Liz coloca uma mão no meu peito.

Não para me afastar. Mas para pausar.

— Ettore…

Me apoio no cotovelo para encará-la. E então vejo. A batalha silenciosa que ela trava consigo mesma. Uma batalha que conheço bem demais.

— Você não quer? — pergunto, embora já saiba a resposta.

— Você sabe o que isso significa para mim — sussurra, quase envergonhada.

Assinto, porque sei. Sempre soube. Liz nunca viu o sexo como algo casual. Para ela, sempre foi a expressão de algo mais profundo. Mais real.

Por isso, esperei o tempo dela. O momento certo para que se entregasse a mim.

— Por isso mesmo devemos ir com calma. Descobrir o que realmente queremos — murmura, sentando-se e puxando o lençol para se cobrir. — E o que realmente sentimos.

— Você está certa — concordo, me sentando também. — Temos tempo.

Ela sorri. Um sorriso genuíno que ilumina seus olhos de um jeito que me faz lembrar da Liz de antes. Da minha Liz.

— Temos um contrato de um ano, afinal — brinca, numa tentativa de aliviar a tensão que paira entre nós.

— Um ano — repito, retribuindo o sorriso. — E um quarto de hotel durante uma tempestade de neve.

— E isso — ela acrescenta, apontando para nós dois — seja lá o que for… é complicado demais para resolver em um dia.

Assinto, reconhecendo a verdade nas palavras dela.

O que existe entre nós é maior — e mais complexo — do que podemos compreender agora, trancados nesse quarto de hotel, com o calor do desejo ainda pulsando sob a pele.

— Vou tomar um banho — aviso, precisando de distância. De água fria. De qualquer coisa que me ajude a recuperar o controle… e não fazer besteira.

No banheiro, encaro meu reflexo no espelho. Quem é esse homem que me olha de volta?

O vingativo Ettore Bianchi, que voltou a Milão com um plano bem traçado?

Ou o jovem idiota que um dia acreditou em finais felizes?

A resposta provavelmente está em algum lugar entre os dois.

E isso… isso me assusta mais do que estou pronto para admitir.

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