Chiara nos avista quase imediatamente. Seus olhos param primeiro em Ettore, com aquele carinho maternal; depois em mim, onde a temperatura cai vários graus.
Ela se aproxima, com Isabella ainda ao seu lado, como um pequeno comitê de boas-vindas ao caos.
Minha sogra cumprimenta Sofia com um beijo na bochecha, que aceita o gesto com um incômodo evidente, depois se vira para Ettore.
— Querido filho — ela diz, dando um beijo na bochecha dele. — E Liz.
Forço um sorriso ao cumprimentá-la, ignorando o desdém habitual.
— Boa noite, mãe — Ettore cumprimenta, formal como sempre. — Isabella — acrescenta, com um aceno breve.
— Ettore, querido — Isabella responde, sorrindo até demais. — Que coincidência encontrá-lo aqui.
— Uma coincidência num jantar familiar? — Sofia comenta, irônica, levantando sua sobrancelha branca. — Por falar nisso… Alessandro, você não disse que seria uma reunião familiar? Não me lembro dessa moça ser parte da nossa família.
Um silêncio constrangedor se instala, e Isabella cora ligeiramente. Alessandro abre a boca para justificar, mas é interrompido por Chiara.
— Isabella é minha convidada — minha sogra intervém, olhando para o cunhado. — Espero que não se importe, Alessandro.
— Claro que não, Chiara — ele responde, claramente desconfortável. — Quanto mais pessoas, melhor.
Chiara assente, satisfeita. Então, seu olhar para no meu pescoço. Seu sorriso diminui e, por um momento, acredito que ela arrancará a joia de mim.
— O colar é interessante — diz, quase trincando os dentes. — Parece familiar.
— É o colar da minha mãe — Sofia intervém antes que eu possa responder. — Aquele que Victor te deu e você não usou por que era “simples demais”, lembra?
— Ah, claro — responde, forçando um sorriso. — Vejo que Ettore decidiu que… combina mais com o estilo de Liz.
— É exatamente o que eu disse — Sofia responde, claramente se divertindo com a insatisfação evidente de Chiara. — Finalmente encontrou o pescoço certo.
Ettore limpa a garganta, claramente desconfortável com o rumo da conversa.
— Vou apresentar Liz a alguns primos — diz, virando-se para mim. — Se nos dão licença…
Sofia acena com a mão, enquanto encara Chiara, que parece ligeiramente menor agora. É quase cômico ver minha sogra tão desarmada diante da matriarca.
Ettore me guia pelo salão com sua mão firme em minhas costas. Quando estamos longe, solto o ar que nem percebi estar prendendo.
— Sua avó é… intensa — comento, ainda processando o encontro.
— Ela diz o que pensa, sem filtros — Ettore explica, sorrindo. — Idade e dinheiro têm esse efeito em algumas pessoas.
— Gostei dela — admito, sem conter um sorriso. — Isso é raro em meio à falsidade em que vivemos.
Um garçom passa com uma bandeja de champanhe, e Ettore pega duas taças, me entregando uma.
Paramos perto de uma das janelas, um lugar que nos permite uma visão clara do salão.
Sofia conversa com Alessandro e a esposa dele. Chiara e Isabella conversam entre si e, pelos olhares em nossa direção, sei que estão falando de nós dois.

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