Por um segundo, considero a possibilidade de simplesmente apertar o botão do elevador e fingir que não ouvi. Entrar, descer até o térreo e sair como se o prédio estivesse em chamas.
Mas, pelo perfume caro e enjoativo, sei que é impossível ignorar.
Me viro e encontro Chiara parada atrás de mim, perfeita até o último fio de cabelo loiro, impecavelmente preso num coque.
— Chiara — cumprimento, mantendo a voz neutra. — Não esperava te ver aqui.
— Isabella passou mal esta manhã — ela explica, se aproximando. — E, como os pais dela estão viajando, precisei cuidar dela.
Pressiono os lábios, controlando a vontade de revirar os olhos. Claro que a minha sogra cuidaria de sua doce e frágil Isabella. Seu pequeno bibelô.
— Espero que ela melhore logo — digo, não por Isabella, mas porque é o que a educação exige que eu diga.
— Você parece… feliz — observa, como se isso fosse uma ofensa. — Boas notícias sobre sua mãe?
— Sim — respondo, encarando seus olhos frios. — Ela mexeu o dedo hoje. Pela primeira vez.
— Que sorte a dela. Depois de tanto tempo, quase morta. É… milagroso.
O jeito que ela diz “milagroso” me dá vontade de revirar os olhos novamente.
— Posso afirmar que isso é graças ao dinheiro do meu filho, certo? — Ela continua, e quase vejo o veneno escorrer pelo canto dos lábios. — Porque, falidos do jeito que…
— Chiara — interrompo, seca —, Ettore e eu somos casados. Então, o que é dele, é meu. Podemos afirmar que sou eu quem está pagando esse tratamento, não?
É uma provocação arriscada, eu sei. Um terreno perigoso. Mas alguma coisa dentro de mim se recusa a continuar abaixando a cabeça para essa mulher.
— Você está muito confiante com esse casamento, não? — Chiara pergunta, inclinando a cabeça como uma cobra prestes a dar o bote. — Talvez esteja esquecendo a mulher que foi. Aquela que meu filho acredita que você tenha sido.
Por dentro, meu estômago se revira. Ela está cutucando o ponto exato que sabe que ainda dói.
— Sabe, no início eu até queria falar sobre isso com ele — digo, lutando para manter a calma. — Mas, ao longo dessas semanas, estando ao lado do homem que amo, acabei deixando para lá. Já superamos isso mesmo.
Vejo a raiva e a surpresa cruzarem o rosto dela. Seus lábios se contraem por um segundo antes de abrir um sorriso frio.
— Superaram? — repete, pronunciando a palavra como se estivesse suja. — Interessante.
Mas você realmente acha que isso muda alguma coisa?
— Muda tudo — afirmo, cansada de me encolher diante dela. — Mas quem sabe, em breve, eu esqueça daquela confidencialidade e decida contar ao meu marido o que realmente aconteceu.
Para minha surpresa, Chiara ri. Uma risada fria que ecoa pelo corredor vazio.
— Faça isso, querida — diz, dando um passo à frente. — Como eu disse, meu marido pode não estar mais aqui, mas eu sou a detentora dos direitos. E posso cobrar um valor… diferente daquele.
Engulo em seco, me recusando a mostrar fraqueza.
— Você está mentindo.



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