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Comprada Pelo Meu Ex Bilionário romance Capítulo 58

Faço o que ele pede e me sento na poltrona, de frente para ele. Ettore continua de pé, mãos nos bolsos, me observando com aquela intensidade que sempre me fez sentir exposta demais.

Como se pudesse ver todas as minhas mentiras.

— O que a noite passada significou para você? — ele pergunta, num tom calmo.

A pergunta me pega de surpresa. De todas as coisas que imaginei que ele diria, essa não estava nem perto do topo da lista.

— Significou muito — respondo com sinceridade, porque ao menos isso não preciso esconder. — Mais do que posso explicar.

Ele me observa em silêncio, como se tentasse confirmar que não estou mentindo.

— Tem certeza de que não foi só sexo para você? — insiste. — Uma forma de passar o tempo?

— Não. Foi real, Ettore! — respondo na hora, ofendida. — Você sabe que nunca foi assim para mim. Por quê? Foi só sexo para você?

— Foi como voltar no tempo — rebate, me surpreendendo com a honestidade. — Como se os últimos três anos não tivessem existido. Como se ainda fôssemos… aqueles estudantes idiotas apaixonados.

Aperto as mãos nos joelhos, tentando controlar a vontade de levantar e abraçá-lo.

— Foi assim para mim também — confesso num quase sussurro. — Por algumas horas, era como se…

— Como se você nunca tivesse me traído? — ele corta, o tom mudando, endurecendo.

E aí está. O passado. Sempre entre a gente, feito uma parede que ninguém consegue atravessar.

— Liz, preciso saber a verdade — continua, os olhos cravados nos meus. — O que aconteceu há três anos? Por que você me fez acreditar que me amava, só para me trair depois?

Sinto a garganta secar. Por que agora? Justo agora, quando minha mãe começou a melhorar?

Quando Chiara acabou de me lembrar que o preço da verdade ainda é alto demais.

O encaro por um segundo, me odiando por não poder contar. Por não poder dizer que foi tudo mentira.

Que fiz aquilo para evitar algo maior que o ódio dele.

Porque se ele não acreditar em mim, se Chiara conseguir convencê-lo de que ela não teve nada a ver com isso… não serei só eu quem vai sofrer.

Vai ser minha mãe também.

— Eu era jovem — murmuro, odiando cada palavra. — Confundi paixão com amor.

— Mentira! — ele dispara, dando outro passo. — Você acabou de dizer que ontem foi real. Se foi real ontem, por que não era real antes?

Me levanto, tentando sustentar o olhar dele. Mas é quase impossível com tanta intensidade nos olhos dele.

— As pessoas mudam, Ettore — digo, desviando o olhar. — Sentimentos mudam.

— Mesmo? E aquele homem? — ele pergunta, a mandíbula travada. — O que ele tinha que eu não tinha?

Engulo em seco. Sabia que seria assim. Que ele ia me espremer até sobrar só a versão da mentira que contei naquela tarde. Que aprendi a repetir.

— Não importa mais — respondo, sentindo a primeira lágrima escapar. — Foi há muito tempo.

Outro soluço escapa com sua pergunta. Se eu for honesta comigo mesma, sim, me arrependo. Mas não da decisão em si.

Me arrependo de como fiz. De não ter falado com ele. De ter provocado tanta dor em nós. Me arrependo de tê-lo deixado acreditar na pior versão de mim.

Mas me arrependo de tê-lo protegido? De impedir que o pai dele destruísse tudo? Não.

Porque no fim, eu teria feito tudo de novo, se significasse evitar o que o Victor prometeu fazer.

— Me arrependo de ter traído você — digo firme, mesmo com a garganta em chamas. — Porque agora… estamos juntos de novo, mas pelos motivos errados.

Ele me encara por longos segundos. Não pisca. Não diz nada. Só me analisa como se tentasse montar um quebra-cabeça com peças que não encaixam.

Como se estivesse procurando alguma brecha. Uma falha. Uma mentira.

E talvez esteja.

Mas essa é a versão que ele vai ter.

A única que posso dar.

— Não consigo acreditar — ele murmura, passando a mão pelos cabelos, frustrado. — Depois de tudo, depois da noite passada… você ainda não consegue ser honesta comigo sobre o que…

— Quer honestidade? — interrompo, enxugando as lágrimas com as costas da mão. — Então aqui vai: sim, eu te amava, Ettore. Amava com cada pedaço do meu ser. E sim, cometi o maior erro da minha vida naquele dia.

E talvez… ainda esteja pagando por ele.

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