Engulo em seco com suas palavras, sentindo meu corpo inteiro travar.
Ettore está irreconhecível. É como se o álcool tivesse arrancado todas as máscaras, deixando apenas a mágoa crua e exposta.
Giulia é a primeira a reagir, dando um passo à frente, se colocando entre mim e ele.
— Olha só quem chegou — ela diz, olhando-o de cima a baixo. — O grande Ettore Bianchi, que sabe tudo sobre todos, certo? Só não sabe a hora de calar a boca e…
— Você se acalme, ok? — o advogado interrompe, calmo, encarando Giulia. — Ettore bebeu além da conta e não está pensando direito.
— Mas EU estou! — ela rebate, insatisfeita. — Seu amigo insuportável aparece bêbado, ofende minha amiga, e eu é que tenho que me acalmar?
— O marido dela — Max responde, erguendo uma sobrancelha. — E estão na casa dele, se não percebeu. Então, sim, talvez você devesse se acalmar.
— Belo argumento — ela diz, forçando uma risada seca. — O que mais você defende com essa lógica?
— Chega! — corto-os, passando a mão pelos cabelos. — Por favor, parem com isso.
Eles se calam, mas a tensão permanece, fervendo nos olhares. Desvio os olhos para Ettore, que parece alheio à discussão.
Não importa quanta mágoa eu tenha dele, ou quanta raiva ele tenha de mim — vê-lo assim me parte o coração.
— Ele precisa de um banho — digo, me aproximando dele. — E de dormir.
— Cuido disso — Max se adianta, tentando levá-lo ao quarto.
— Na-não — Ettore se solta do braço dele, cambaleando. — Se alguém vai me dar banho, é a minha esposa. Ela conhece meu corpo muito bem… especialmente depois da madrugada passada.
Sinto meu rosto queimar instantaneamente com a provocação.
— Não vou dar banho em você, Ettore — digo, balançando a cabeça. — Você consegue perfeitamente…
— Cair e quebrar o pescoço? — ele completa, rindo como se tivesse contado a melhor piada do mundo. — Ou quer me ver morrer afogado na banheira?
Suspiro, derrotada. Quanto mais rápido ele tomar banho e dormir, mais rápido esse pesadelo acaba.
— Max, você poderia levar a Giulia para casa? — peço, ignorando o olhar desaprovador dela. — Por favor?
— Não preciso que ninguém me leve… — ela começa a protestar.
— Posso levá-la — ele a interrompe, surpreendentemente gentil. — Sou um cavalheiro, mesmo com quem claramente não merece.
Giulia abre a boca, se preparando para rebater, mas se contém diante do meu olhar suplicante.
Enquanto ambos descem as escadas, volto minha atenção para Ettore. Agora ele está encostado na parede, observando tudo com aquele olhar perdido.
Respiro fundo, tentando reunir toda a paciência que me resta.
— Vamos — digo, puxando-o pelo braço. — Você realmente precisa de um banho.
Espero resistência, mas surpreendentemente ele me segue, cambaleando.
O perfume dele, misturado ao cheiro de álcool, me deixa ainda pior. É como encarar um estranho com o rosto de alguém que conheço demais.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprada Pelo Meu Ex Bilionário