“Liz Bianchi”
Enquanto saímos da última loja da Galleria Vittorio Emanuele II, sinto meus braços pesados de tanto carregar sacolas.
As compras ajudaram a distrair minha mente da ideia de dividir o quarto com Ettore, mas meus pés já estão gritando por misericórdia.
Sofia, por outro lado, desfila pelos corredores como se tivesse vinte anos e fosse paga para gastar dinheiro.
Uma disposição invejável.
— Acho que já temos o suficiente, não? — pergunto, encarando o volume nas minhas mãos.
— Sim, acho que já compramos metade de Milão — concorda, sorrindo sem um pingo de culpa. — Que tal pararmos para um café? Conheço um lugar ótimo no final da galeria.
Aceito sem pensar duas vezes. Um café agora é exatamente o que preciso para processar tudo o que aconteceu neste final de semana.
Minutos depois, estamos sentadas em uma mesa com uma linda vista para a praça do Duomo.
Sofia toma um gole de seu espresso antes de me encarar com aquele olhar que parece ler minha alma.
— Então, como estão as coisas realmente entre você e meu neto? — pergunta, sem rodeios.
— Estamos… nos redescobrindo — respondo, optando pela meia-sinceridade. — Como todo recomeço.
Ela assente, como se já esperasse essa resposta.
— Um Bianchi e uma Montesi — comenta, sorrindo levemente. — Quem diria? É quase como Romeu e Julieta, só que com final feliz.
O silêncio entre nós duas dura somente o tempo de um gole de cappuccino, mas parece um convite.
Se eu quiser entender tudo de verdade, é agora.
— Sofia, por que existe tanta rivalidade entre nossas famílias? — pergunto, inclinando-me sobre a mesa. — Sempre ouvi falar disso, mas nunca entendi quando começou.
Ela suspira, colocando a xícara de café na mesa com cuidado.
— No começo, era só uma concorrência normal — diz, o olhar perdido na praça como se enxergasse outra época. — Duas empresas no mesmo ramo, disputando espaço como tantas outras. Nada, além disso.
— O que mudou?
— Começou quando Victor e Chiara começaram a namorar — Sofia responde, voltando o olhar sério para mim. — E piorou quando seu avô se aposentou e seus pais assumiram a Montesi & Co.
— Mas por quê? — franzo o cenho, curiosa. — Meus pais fizeram algo específico?
— Na minha opinião, sempre teve algo além da rivalidade nos negócios — ela suspira. — Especialmente por parte de Chiara. Victor era brilhante como homem de negócios, competitivo, mas nunca vingativo. Depois dela… algo mudou.
— Como assim?
— Chiara teve uma influência… digamos, única sobre meu filho — continua, com um tom de reprovação. — Ela o transformou de um competidor justo em alguém obsessivo. E, por algum motivo, sua família virou o principal alvo dessa obsessão.
Tomo um gole do cappuccino, tentando absorver tudo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprada Pelo Meu Ex Bilionário