Acordo com algo pesado sobre a cintura. Abro os olhos devagar, meio confusa, até perceber onde estou. E com quem.
Em algum momento, durante as poucas horas que consegui dormir, Ettore e eu cruzamos a linha imaginária que dividia a cama.
Agora, estou envolvida numa conchinha involuntária, com o braço dele segurando minha cintura como se fosse a coisa mais natural do mundo.
É estranho como, mesmo após anos, nossos corpos ainda se encaixam tão bem.
— Preciso fazer xixi — murmuro baixinho, quase com medo de me mexer e acordá-lo.
Parte de mim quer continuar aqui, fingindo que nada mudou. Que ainda somos nós. Mas a outra parte… bom, ela precisa desesperadamente de um banheiro.
Com cuidado, tiro o braço dele da minha cintura e escorrego para fora da cama. Em pé, olho para o relógio: 6h10. Ainda tenho tempo para um banho rápido antes que ele acorde.
Praticamente corro para o banheiro e, quando fecho a porta, finalmente consigo respirar.
— Enfim, livre — resmungo, tirando a calça de seda com um suspiro aliviado.
Nunca fui fã de pijamas. Esquentam demais, enrolam nas pernas…
Mas usar minhas camisolas, com Ettore por perto? Isso seria como deixar uma bomba-relógio em cima da cama.
Vinte minutos depois, saio do banheiro já vestida para o trabalho. Quando olho para a cama, ele continua dormindo.
Cabelos bagunçados, rosto relaxado, o lençol meio caído, revelando aquele abdômen que definitivamente não deveria ser permitido antes das onze da manhã…
— Esse tipo de tentação devia ser proibido numa segunda-feira de manhã — murmuro, saindo do quarto.
Ao chegar na sala de jantar, encontro Sofia sentada à mesa, conversando com Adeline.
— Bom dia — digo, me sentando.
— Bom dia, querida! — ela responde com aquele sorriso caloroso de sempre, enquanto Adeline me cumprimenta antes de sair. — Dormiu bem?
— Muito bem, obrigada — respondo, me servindo de café.
— E Ettore, já está descendo?
— Continua dormindo — digo, levando a xícara à boca e tentando não lembrar do motivo exato pelo qual ele parecia tão relaxado.
Sofia me encara e, por um momento, espero mais um dos seus comentários sem filtro. Mas, para minha surpresa, a matriarca apenas sorri e volta a tomar seu café.
Por um tempo, tomamos café enquanto conversamos um pouco sobre a Sicília. Então, o som de passos na escada nos interrompe.
Ettore entra logo depois, impecavelmente vestido, cabelos arrumados… nem parece o mesmo homem que estava dormindo há vinte minutos.
— Bom dia — ele diz, beijando a testa da avó antes de se sentar.
— Bom dia, querido — Sofia responde, sorrindo enquanto serve o café para ele. — Dormiu bem?
— Como um anjo, Nonna — ele sorri de lado, olhando para mim.
Por um instante, me pergunto se a conchinha foi proposital, mas, claro, não pergunto.
O restante da manhã passa em silêncio, com algumas perguntas de Sofia sobre nossos planos para o dia.

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