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Comprada Pelo Meu Ex Bilionário romance Capítulo 7

Ettore pega o tablet com uma tranquilidade irritante, como se não tivesse acabado de lançar uma bomba sobre mim, e se afasta.

Observo-o caminhar lentamente em direção à saída, e algo ferve dentro de mim. Me levanto rapidamente e sigo atrás, alcançando-o no corredor vazio.

— Ettore! — chamo, segurando seu braço. Olho ao redor e abaixo a voz. — Por que tanta pressa?

— Achei que tivesse entendido a urgência para ambos — ele responde, sem emoção. — Não estaria surpresa se tivesse lido o cronograma.

— Não tive tempo de ler nada! Minha vida virou de cabeça para baixo nas últimas vinte e quatro horas!

— Dramática como sempre — ele suspira, olhando o relógio. — Te espero no carro. Cinco minutos. Não se atrase.

Ettore solta o braço da minha mão e continua andando, satisfeito por conseguir me provocar mais uma vez.

Solto um suspiro pesado e volto para a sala de jantar.

— Quatro dias… — murmuro, ainda incrédula, pegando minha bolsa da cadeira.

Minutos depois, estamos no carro, indo em direção à Montesi, mergulhados num silêncio tão tenso que chega a incomodar.

Meu olhar vagueia pelo interior do Maserati, o mesmo em que ele me fez entrar descalça porque meus saltos poderiam arranhar o tapete personalizado.

É quando vejo algo brilhando no porta-objeto. Franzo as sobrancelhas e me inclino.

Um brinco. Meu brinco. O pequeno trevo de ouro branco que perdi pouco antes de tudo desmoronar.

— Você ainda tem isso — murmuro, pegando a joia entre os dedos.

Ettore desvia os olhos da estrada, fixando o olhar no objeto. Por um segundo, sua expressão parece mudar. Mas logo endurece de novo.

— Devo ter esquecido de jogar fora — diz, estendendo a mão. — Me dá.

Hesito, sentindo o coração acelerar. Por que ele guardaria isso por três anos? A menos que…

Antes que eu possa completar o pensamento, Ettore arranca o brinco da minha mão. Com um movimento rápido, abaixa o vidro e o arremessa pela janela.

— Ettore! — exclamo, me virando rápido para olhar pelo para-brisa traseiro, como se ainda pudesse ver onde o brinco caiu. — Por que fez isso?

— Era só um objeto esquecido — ele responde, indiferente. — Sem significado. Como tudo o que tivemos.

Volto a me sentar direito, prendendo a respiração para não chorar.

Pouco depois, chegamos à Montesi. Assim que saímos do carro, sinto os olhares. Funcionários, curiosos, disfarçando mal a atenção.

Sem aviso, Ettore encosta a mão na parte inferior das minhas costas e se inclina, encostando os lábios na minha têmpora.

— Te busco às seis — sussurra, sorrindo como se fôssemos um casal feliz, se despedindo depois do café da manhã perfeito.

— Isso é mesmo necessário? Eu ainda tenho um carro, Ettore.

— E tirar de todos o espetáculo do casal feliz? — ele rebate, sarcástico. — Nem pensar. Às seis.

— Sábado?! — ela praticamente grita, despencando na cadeira à minha frente. — Ok, começa a falar. Agora!

Por alguns minutos, resumo meu dia que mais parece ter durado uma década: o flagrante com Marco, a falência iminente da empresa, a proposta do Ettore, o contrato.

— Enfim… Ettore quer me destruir — murmuro, enxugando as lágrimas teimosas.

— Só se você deixar, Liz. Te conheço há anos. Sei o quanto você é forte.

— Não me sinto forte — confesso, a voz embargada. — Me sinto perdida. Vulnerável. Tipo uma daquelas mocinhas dos romances que você lê e jura que nunca vai ser.

— Normal. Você foi, literalmente, oferecida em sacrifício.

— Pela empresa da minha família — repito, como se isso justificasse tudo. — Pelo legado do meu avô. Pelo tratamento da minha mãe.

— Sei disso, amiga. Mas isso não faz a situação menos cruel.

— O pior é que parte de mim acha que mereço isso — admito, encarando o vazio. — Depois do que fiz com ele…

— Você fez o que achou certo na época — diz, firme. — Mas se ele soubesse a verdade…

— Ettore não quis saber — corto, balançando a cabeça. — Ontem tentei explicar, mas ele acha que vou mentir para tentar me salvar. Me promete que não vai dizer nada, por favor?

— Já prometi mil vezes… Seu segredo está seguro comigo. Mas um dia…

— Um dia, vou conseguir contar a verdade. Só espero que Ettore não destrua o que restou de mim antes disso.

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