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Comprada Pelo Meu Ex Bilionário romance Capítulo 8

“Ettore Bianchi”

Estaciono o carro no lugar reservado, quase batendo no carro ao lado. Meus dedos continuam tensos ao redor do volante, mesmo após desligar o motor.

De todas as coisas que poderiam ter permanecido esquecidas no carro, tinha que ser justamente aquele brinco.

O mesmo que dei a ela no nosso primeiro mês juntos, quando éramos apenas dois idiotas apaixonados dividindo cafés pela universidade.

Atravesso o saguão da empresa, retribuindo os cumprimentos de maneira tão falsa que nem eu acredito.

Quando finalmente entro no elevador, encosto a cabeça na parede espelhada. Solto um suspiro pesado ao lembrar da expressão de Liz ao ver o brinco.

Aquela mistura de surpresa e… esperança? A ideia me irrita ainda mais. Que direito ela tem de esperar qualquer coisa de mim depois do que fez?

As portas se abrem e saio do elevador. Passo direto pela minha assistente sem responder seu “bom dia”, finalmente entrando na minha sala.

— Dia difícil, e ainda nem são nove da manhã — a voz de Max me surpreende.

Fecho a porta e encontro meu amigo confortavelmente sentado em uma das poltronas da minha mesa, o notebook aberto em cima da mesa.

— O que faz aqui? — pergunto, pendurando o paletó.

— Você me chamou, esqueceu? — Ele levanta uma sobrancelha. — Para finalizar os detalhes da reunião com o conselho. O que aconteceu?

— Nada.

— Ettore — Max insiste, fechando o notebook —, conheço esse olhar. Algo deu errado.

— Liz encontrou o brinco — finalmente respondo, me sentando na minha cadeira.

— Que brinco?

— A porra de um brinco que dei a ela quando começamos a namorar — respondo, irritado por ter que explicar. — Estava no console do carro.

Max levanta as sobrancelhas, e posso ver que ele está se controlando para não rir.

— E por que você ainda tinha isso?

— Não guardei propositalmente, se é o que quer saber — rebato, digitando minha senha no computador sem sequer olhar. — Só nunca joguei fora.

— Acredito… — ele diz, finalmente rindo da minha cara. — Mas e aí? Por que está tão irritado?

— Porque ela achou, porra! E eu joguei o brinco pela janela do carro. Pronto, assunto encerrado.

— Pela janela?! — Max repete, arregalando os olhos. — Você jogou o brinco com valor sentimental pela janela, Ettore?

— Não tinha valor sentimental — insisto, passando a mão no rosto. — Era só um pedaço de metal.

— Que você guardou por três anos, ou teria jogado fora quando o viu.

Ignoro a provocação e giro minha cadeira, encarando a vista da cidade pelas janelas panorâmicas.

— Preciso comprar outro carro — murmuro, mais para mim mesmo do que para ele. — Antes que ela encontre mais alguma coisa lá dentro e comece a criar ideias.

— Que tipo de ideias? Que talvez você nunca tenha superado completamente e agora está surtando porque ela voltou para sua vida?

— Liz não voltou. Está de passagem. Cumpre o papel, salva a empresa da família, e depois vai embora da minha vida novamente.

— Mãe — Corto, sarcástico. — Já está feito.

— Esta conversa não acabou, Ettore!

Minha mãe desliga sem esperar resposta. Suspiro e jogo o celular na mesa.

— Isso foi… intenso — Max comenta, arqueando as sobrancelhas.

— Mal posso esperar pelo próximo round — digo, irônico, passando a mão no rosto. — Algo me diz que ela vai aparecer antes do previsto.

— Justo o que faltava para o drama ficar perfeito — ele ri.

Tento acompanhar o bom humor dele, mas é difícil quando minha cabeça está um caos.

Max me encara com um olhar mais sério.

— Você tem certeza que quer comprar essa briga com a sua mãe, Ettore? Ainda dá tempo de recuar.

— Já tomei minha decisão, Max — respondo, firme. — Isso não tem a ver com querer ou não. É necessário.

— Entendi — ele diz, continuando a me encarar como se tentasse decifrar uma equação impossível. — Só espero que você esteja pronto para lidar com as consequências.

— Lido com elas desde o dia em que decidi ir para Londres — afirmo, num tom mais baixo. — Esse casamento é só o desfecho que essa história sempre mereceu. Mas de um jeito diferente.

Max assente em silêncio, mas o olhar dele diz tudo: ele ainda acha que estou misturando negócios com vingança.

Talvez eu esteja. Mas que diferença isso faz?

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