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Comprada Pelo Meu Ex Bilionário romance Capítulo 76

“Liz Bianchi”

Entrei na sala de reuniões com o coração acelerado e a sensação de que, por pouco, não coloquei tudo a perder.

Se não fosse meu hábito paranoico de manter tudo salvo em arquivos digitais, herança direta da sabotagem que sofri na faculdade, meu próximo passeio seria direto para o RH.

Minhas mãos ainda tremem enquanto coloco as pastas sobre a mesa. Duas horas de corrida contra o tempo, uma discussão tensa com Paolo…

Mas basta olhar para Ettore e tudo muda.

Ele sorri.

E, de repente, a tensão nos meus ombros desaparece.

Meu marido acreditou em mim. Mais do que qualquer pessoa nesta sala. Talvez mais do que eu mesma acreditei.

— Antes de começarmos — digo, sinalizando para que minha equipe se posicione —, gostaria de explicar a filosofia por trás deste projeto.

Giulia liga o projetor. Paolo começa a organizar as amostras na mesa. Quando nossos olhares se cruzam, noto o incômodo nos olhos dele. Escolho ignorar, por ora.

As primeiras peças surgem na tela: blazers com cortes clássicos, mas com detalhes sutis inspirados nos quimonos tradicionais.

— A proposta é honrar ambas as culturas sem desfigurar nenhuma delas — explico, observando o Sr. Takeshita se inclinar levemente, murmurando algo em japonês para a intérprete.

Paolo se aproxima, segurando uma das amostras, o profissionalismo vencendo o desconforto entre nós.

— Este tecido — diz, firme — mantém o caimento e a qualidade típicos da alfaiataria italiana, mas incorpora uma técnica japonesa de tingimento que cria essa textura única.

A intérprete traduz. O Sr. Takeshita toca o tecido com cuidado, como se estivesse diante de uma peça rara.

— Ma-kanzen — ele murmura.

— Ele disse “imperfeição perfeita” — a intérprete traduz. — É um conceito japonês sobre encontrar beleza na imperfeição intencional.

Sorrio discretamente. Faz sentido. Nosso projeto inteiro é sobre isso.

Continuo a apresentação, explicando cada peça, escolha e ideia.

Ao olhar para Ettore, vejo-o completamente focado, absorvendo cada palavra como se eu fosse a única pessoa na sala.

— Para a linha feminina — prossigo, trocando os slides —, criamos peças que conversam diretamente com a força e a delicadeza da mulher contemporânea.

A apresentação se estende por mais vinte minutos. Cada detalhe é explicado, cada escolha é justificada. Graças ao trabalho em equipe, minha confiança cresce a cada frase.

Quando termino, a sala mergulha num silêncio ensurdecedor.

O Sr. Takeshita fala com a intérprete, gesticulando em direção às amostras. Meu coração b**e tão forte que juro que vai explodir.

— Ele disse que… — a intérprete hesita, escolhendo as palavras com cuidado — é exatamente o que esperava sem saber que esperava. Que vocês conseguiram criar algo novo, respeitando o antigo.

Sinto os joelhos fraquejarem. A adrenalina ainda me percorre, mas agora é de puro alívio e triunfo.

— E ele gostaria de discutir não apenas uma parceria — ela continua —, mas uma linha completa. Tanto para o mercado japonês quanto internacional.

Uma. Linha. Completa.

Meus olhos procuram Ettore. Ele ainda sorri, mas agora, há orgulho ali.

Ettore Bianchi… está orgulhoso de mim?

Giorgio pigarreia, visivelmente desconfortável com o rumo inesperado da reunião.

Mas, quando meus olhos encontram os de Ettore novamente, ele me observa com uma intensidade que faz meu estômago virar uma montanha-russa.

— Posso roubar minha esposa por alguns minutos? — ele pergunta, com os olhos fixos aos meus.

— Claro — Paolo responde, voltando ao seu tom habitual. — Só não demora, Liz. Vai que alguém resolve me culpar por mais um “erro” que não cometi.

Giulia revira os olhos. Paolo recolhe suas coisas e sai, ainda com aquele ar de quem quer conversar mais tarde. E nós dois sabemos que vamos precisar.

Mas agora, sozinha com Ettore, tudo ao redor parece silenciar. Há um sorriso genuíno em seu rosto e, com ele, toda a tensão que restava em mim simplesmente some.

— Parabéns — ele diz, se aproximando devagar. — Foi brilhante.

— Obrigada — respondo, sorrindo orgulhosamente. — Por um momento, achei que…

— Que…? — pergunta, franzindo as sobrancelhas ao notar minha hesitação.

Penso por um segundo. Deveria contar sobre a sabotagem? Sobre os desenhos arruinados de propósito?

Mas olho para o homem à minha frente, para o orgulho sincero em seus olhos… e decido que algumas verdades podem esperar.

— Achei que não fosse dar tempo de deixar tudo perfeito — finalmente respondo. — Mas deu.

— Sempre dá — ele diz, tocando meu rosto. — Você é mais forte do que imagina, Liz. Sempre foi.

E então ele me beija.

Sem pressa. Sem obrigação. Sem passado ou futuro.

Apenas… nós.

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