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Comprada Pelo Meu Ex Bilionário romance Capítulo 77

Quando nos afastamos, ofegantes, ficamos em silêncio, surpresos com o gesto inesperado, mas totalmente bem-vindo.

Sou uma boba mesmo.

— Precisamos comemorar — murmura, com a voz rouca, sem se afastar.

— Sim — concordo, meio tímida. — Só preciso resolver algumas coisas antes.

— Claro — ele sorri, dando finalmente um passo para trás. — Então nos vemos mais tarde.

— Com certeza — respondo, tentando recuperar um mínimo de compostura enquanto ele recolhe suas coisas.

Mas antes de sair, Ettore se aproxima de novo e beija minha testa com carinho.

— Parabéns de novo, piccola — sussurra. — Estou orgulhoso de você.

As palavras dele me fazem sorrir ainda mais. Assinto em silêncio e o observo sair da sala.

Quando fico sozinha, solto um longo suspiro. Entre a tensão da apresentação, o alívio do sucesso, o reconhecimento… e o beijo de Ettore, minha cabeça está uma bagunça.

Mas, dessa vez, é uma bagunça boa.

Recolho minhas coisas e sigo para o departamento de design, ainda digerindo tudo. Metade de mim está orgulhosa; a outra metade, faminta por respostas.

Porque alguém tentou me derrubar esta manhã. E vou descobrir quem foi.

Respiro fundo, ajusto os ombros e saio da sala de reuniões. Quando entro no departamento de design, sou recebida por aplausos espontâneos.

— Liz! — Lorena surge na minha frente com um sorriso radiante. — Parabéns! Soubemos que foi um sucesso total!

— Obrigada — respondo, ainda meio surpresa com a recepção calorosa.

Até mesmo alguns designers que claramente duvidavam de mim se aproximam para parabenizar.

É gratificante, claro. Mas também me faz pensar: quantos torciam silenciosamente pelo meu fracasso?

— Onde está o Paolo? — pergunto à Giulia, que aparece ao meu lado com um olhar orgulhoso.

— Na sala dele, acho — ela responde, franzindo as sobrancelhas. — Você acreditou no que ele disse? Porque ainda acho que…

— A gente vacilou, Giulia — corto, firme. — O Paolo pode até ter seus motivos, mas não foi certo acusá-lo sem provas. Concorda?

Giulia assente, baixando o olhar. Agora que a raiva passou, nós duas sabemos que foi errado.

Me afasto e sigo em direção à sala de Paolo. Quando ouço sua voz me autorizando a entrar, respiro fundo e entro.

Ele está em pé, olhando pela janela, como se o horizonte tivesse respostas que a gente ainda não descobriu.

— Liz… — ele começa, mas levanto a mão, interrompendo.

— Deixa eu falar primeiro.

Fecho a porta atrás de mim e caminho até ele, sentindo o peso da conversa prestes a acontecer. Paolo se vira por completo, cruza os braços e espera.

— Vim te agradecer pela dedicação ao projeto — começo, parando diante da mesa dele. — Mas também vim me desculpar.

Paolo arqueia as sobrancelhas, visivelmente surpreso.

— Pelo jeito como te acusei hoje — continuo, me sentando. — Eu estava sob pressão e… fui precipitada. Foi injusto.

— Foi mais que injusto — ele rebate, mas o tom já não é agressivo. — Foi ofensivo. Você realmente acha que eu me envolveria num projeto só para sabotá-lo? Que eu colocaria meu nome em risco por algo tão… mesquinho?

— Ettore me mandou mensagem há pouco — respondo, ajustando a bolsa no ombro. — Sugeriu o Blue Moon, que tal?

— Contanto que ele se comporte… tudo bem — provoca, enquanto saímos do elevador.

— Então está combinado — digo, aliviada por ela aceitar tão fácil.

Quando nos aproximamos do carro dela, ouvimos vozes alteradas vindas de um canto mais afastado do estacionamento.

— Você é uma inútil! — reconheço a voz insatisfeita de Giorgio.

Giulia e eu nos aproximamos, instintivamente curiosas, e nos escondemos atrás de uma coluna, prendendo a respiração para não sermos notadas.

Então vejo Isabella encostada na parede, e Giorgio parado à sua frente, o rosto vermelho de raiva.

— Papai, eu… — ela começa, com a voz trêmula.

O som do tapa ecoa pelo estacionamento vazio. Isabella leva a mão ao rosto, os olhos se enchendo de lágrimas.

Giorgio sussurra algo que não conseguimos entender antes de passar por nós sem nos notar.

Isabella permanece ali, encostada na parede, chorando em silêncio, ainda com a mão no rosto.

— Vamos embora, Liz — Giulia sussurra, puxando meu braço. — Não podemos nos meter nisso.

Continuo olhando Isabella, que parece tão pequena… como se tivesse encolhido por dentro.

Devo ouvir a razão e ir embora?

Ou desobedecer essa razão… e ir ver como ela está?

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