“Ettore Bianchi”
Há coisas que, se eu pudesse, adiaria para sempre só para evitar estresse.
Como, por exemplo, uma reunião às dez da manhã de sexta-feira com Giorgio e seus aliados sempre tentando me derrubar.
Quando entro na sala de reuniões, ele está falando em voz baixa com dois outros membros do conselho.
A conversa para abruptamente ao me verem.
— Ettore — Giorgio me cumprimenta com aquele sorriso falso de sempre. — Pontual como sempre.
— Bom dia — respondo, me acomodando na cabeceira da mesa. — Vamos começar?
— Na verdade — ele se inclina para frente —, gostaríamos de conversar sobre a proposta do Sr. Takeshita antes que os outros cheguem.
Aqui vamos nós. O bom e velho veneno disfarçado de benfeitoria para o grupo Bianchi.
— Estou ouvindo.
— É uma oportunidade extraordinária para a empresa — começa Franco, sempre aliado a Giorgio. — Ter nossa designer principal trabalhando diretamente no Japão elevaria nosso prestígio internacional.
— Concordo — respondo, mantendo o tom neutro. — É uma excelente oportunidade.
— Então, você vai encorajar sua esposa a aceitar? — Giorgio pergunta, direto.
— Vou apoiar qualquer decisão que ela tomar — corrijo. — É a carreira dela.
— Ettore — ele suspira, como se estivesse lidando com uma criança teimosa —, essa parceria com os japoneses pode abrir portas inimagináveis para nós.
— E eu apoio totalmente a parceria — digo, me recostando na cadeira para encará-lo. — Mas quem vai representar a empresa é uma decisão técnica, não política.
— Sua esposa é claramente a escolha preferida deles — Franco intervém. — Seria… imprudente desperdiçar essa preferência.
A porta se abre e Max entra, seguido pelos outros membros do conselho. Agradeço mentalmente pela interrupção.
— Desculpem o atraso — Max diz, se sentando ao meu lado.
A reunião oficial começa e passamos uma hora revisando os detalhes do contrato, as projeções financeiras, os benefícios estratégicos da parceria.
Tudo muito técnico. Muito profissional.
Mas Giorgio não desiste.
A cada oportunidade, ele faz questão de reforçar a importância da minha mulher aceitar a proposta, falando como se Liz fosse nossa designer estrela.
O mesmo desgraçado que foi contra a vinda dela agora tenta plantar sementes na cabeça dos outros conselheiros.
Porque, claro, se eu me opuser à ideia, todos vão questionar minha decisão e cair matando em cima de mim.
— Quando teremos a resposta da Sra. Bianchi? — pergunta a diretora financeira.
— Ela tem até o fim do dia para decidir — respondo. — É uma escolha importante, que merece ser pensada com calma.
— Claro — Franco concorda, mas tem algo no tom dele que me irrita. — Só esperamos que ela considere todos os aspectos envolvidos.
A reunião se arrasta por mais uma hora. Quando finalmente termina, Giorgio se aproxima enquanto os outros vão saindo.

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