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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 731

Capítulo 731

~ BIANCA ~

A estrada até a Tenuta pareceu menor do que era.

Talvez porque, dessa vez, ninguém estava indo para lá com pressa de fugir de alguma coisa.

Nico dirigia com as duas mãos firmes no volante e o olhar atento, mas o corpo dele já não tinha aquele nervosismo de hospital. Agora era outro tipo de tensão: a de levar o que é frágil para um lugar que precisa aprender a ser casa.

Chiara dormia no meu colo, embrulhada num tecido macio, com a boca entreaberta como se até respirar fosse novidade. Eu olhava para ela o tempo inteiro, como se meus olhos fossem um serviço de segurança particular.

No banco ao lado, Bella tinha subido no colo do Nico no último minuto antes de descermos do carro, teimosa e grudenta do jeito que só uma criança feliz consegue ser. Ele não reclamou. Só encaixou um braço ao redor dela e segurou como se fosse natural carregar uma filha no peito e outra nos braços da mulher.

Quando nós paramos em frente à casa, ninguém falou por um segundo.

A fachada reconstruída tinha aquela dignidade silenciosa de coisa feita com cuidado. A luz do fim de tarde batia nas pedras, e as janelas refletiam o céu como se estivessem devolvendo ao mundo tudo que tinham recebido nos últimos meses.

Nico entrou antes, só o suficiente para alcançar a maçaneta por dentro e manter aberta.

— Bem-vindas ao lar — ele disse.

Eu ri, porque a frase era simples e, ao mesmo tempo, era grande.

Eu passei por ele com a Chiara no colo e senti o cheiro da casa de um jeito que não tinha sentido antes: madeira nova misturada com pedra antiga, limpeza recente, e um fundo quase imperceptível de terra que vinha de fora.

Eu fui direto para a janela da sala, como se precisasse apresentar o mundo para a minha filha.

— Tá vendo aquele monte de parreiras? — eu sussurrei para a Chiara, mesmo sabendo que ela não entendia. — É onde seu pai vai fazer você comer sua primeira uva.

Bella se animou.

— E eu vou ensinar ela a andar de bicicleta e tomar gelato — ela anunciou, como se já tivesse montado um cronograma.

Nico soltou uma risada baixa.

— Um passo de cada vez, senhorita — ele disse.

Nós subimos devagar.

Nico ia na frente, abrindo caminho e ajustando portas com cuidado, como se a casa pudesse tropeçar em nós se ele não fosse gentil. Eu fui atrás, sentindo o peso bom da Chiara e a presença da Bella quase colada na minha perna, acompanhando como se eu fosse um mapa.

Quando entramos no quarto do casal, o berço estava ali.

Eu já tinha visto em fotos, já tinha entrado naquele cômodo antes, já tinha imaginado mil vezes — e, ainda assim, ver o berço com a minha filha nos braços fez o ar mudar.

Nico se aproximou primeiro.

Ele olhou para a Chiara com um tipo de reverência.

Eu me aproximei do berço e, com cuidado, coloquei a Chiara ali.

Ela se mexeu um pouco, fez um som mínimo, e depois ficou quieta de novo.

Nós três ficamos olhando.

Bella chegou na pontinha dos pés, respeitando o silêncio como se, por instinto, soubesse que aquele era um momento que pedia voz baixa.

— Ela cabe aí mesmo — Bella sussurrou, espantada, como se o conceito ainda fosse absurdo.

Nico encostou a mão na minha cintura.

Eu senti o corpo dele relaxar aos poucos, como se, só ali, ele acreditasse que a nossa filha estava segura.

Ficamos admirando ela um pouquinho.

Pouquinho.

E então eu senti meu corpo cobrar.

O cansaço veio como uma onda preguiçosa, pesada, fazendo minhas costas doerem e minha cabeça pedir cama com uma urgência quase ridícula.

Eu olhei para o berço, olhei para a Chiara, e conclui a verdade com uma honestidade sem esforço.

— Ah, é? Que historinha? — eu perguntei.

Bella pensou por um instante, séria como se estivesse escolhendo algo muito importante.

— A história da princesa que perde a memória e se casa com o camponês — ela disse.

Eu e Nico rimos ao mesmo tempo.

Nico virou o rosto para ela.

— E o que acontece? — ele perguntou.

Foi minha voz que respondeu, antes mesmo de eu pensar.

— A vida acontece — eu disse. — E é uma vida linda.

Bella assentiu, satisfeita, como se aquilo encerrasse qualquer dúvida.

— E todos vivem felizes para sempre.

Nota da Autora:

Chegar ao fim de uma história é sempre agridoce.

Mas, hoje, eu só consigo sentir gratidão.

Obrigada a cada leitora que caminhou comigo por esse mundo — por Zoey e Christian, por Anne e Nate, por Marco e Maitê, e por Bianca e Nico. Vocês transformaram personagens em companhia, cenas em conforto e capítulos em rotina. E eu nunca vou esquecer o quanto isso significa para mim.

Escrever esse universo mágico foi um prazer enorme — e saber que eu consegui alegrar, nem que fosse um pouquinho, o dia de vocês ao longo dessas histórias… é o tipo de recompensa que não cabe em palavras.

Pra encerrar do jeito certo: depois do ponto final da história da Bianca, ainda vem um extra amarrando os acontecimentos e reunindo nossos personagens favoritos.

Obrigada por estarem aqui.

E eu espero vocês no meu novo livro: Contratei uma Babá e Ela Era Minha Noiva Fugitiva — uma comédia romântica que promete arrancar risadas, suspiros e (eu confesso) algumas lágrimas.

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