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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 751

Um ano depois...

~ ZOEY ~

A porta do salão de festas do Hotel Milani parecia maior do que deveria.

Do lado de dentro, havia centenas de convidados e uma festa pronta para começar oficialmente. Do lado de fora, na antessala, só havia eu, andando de um lado para o outro como se eu pudesse gastar ansiedade no atrito do salto com o carpete.

Eu tinha ensaiado mentalmente as primeiras frases pelo menos vinte vezes. A parte de “família”. A parte de “legado”. A parte de “sucesso”. A parte de “futuro”. O que é engraçado, porque se tem uma coisa que eu aprendi nesses últimos anos é que futuro não se escreve com discurso. Futuro se escreve com coragem repetida, com trabalho que ninguém vê, com amor que aguenta o peso de dias difíceis.

Ainda assim… eu ia ter que abrir a boca.

A Bellucci Beauty tinha nascido grande, grande demais para um projeto que, um ano atrás, era só uma pasta no tablet do Christian e o meu hobby de misturar coisas com uva como se eu tivesse algum direito de brincar de alquimista. Doze lojas espalhadas pelo mundo. Doze. Eu repetia o número como se fosse um feitiço e, em vez de me acalmar, só me lembrava que agora havia uma expectativa muito bem-vestida me esperando do outro lado daquela porta.

Eu parei diante do espelho da antessala e ajeitei o colar no meu pescoço — o cacho de uvas em diamantes. Eu ainda não sabia se aquele presente tinha sido símbolo, desculpa, ou só mais uma forma do Christian dizer “eu te vejo”. Talvez as três coisas.

Eu respirei fundo, tentando fazer meu coração desacelerar.

E, como sempre acontecia nos momentos em que eu estava prestes a surtar, minha cabeça fugiu para onde era mais seguro: para as pessoas que eu amava.

O último ano passou na minha memória como uma sequência rápida de cenas boas.

Bianca e Nico tinham renovado os votos algumas semanas atrás com uma festa capaz de parar Montepulciano. Não que Montepulciano fosse uma metrópole que nunca dorme, mas ainda assim… parou. Parou no sentido mais bonito: todo mundo quis assistir, todo mundo quis celebrar, todo mundo quis ver a Bianca recebendo, do jeito que ela merecia, tudo o que um dia tentaram negar a ela. Foi uma daquelas noites em que você entende, com uma clareza quase agressiva, que amor também é reparação.

Anne e Nate, depois de anos de “quando der”, finalmente tiraram férias. Tiraram férias de verdade — do jeito que dá para tirar quando você tem babás, três filhos e um cachorro. Ou melhor: uma cadela. Um cruzeiro romântico ao redor da Europa, com direito a fotos em que a Anne parecia uma deusa relaxada e o Nate parecia um homem apaixonado. A logística era absurda. O romance era ainda mais.

Marco e Maitê continuavam voando com os Parques Salvani, mas estavam numa fase mais família do que trabalho e, vindo deles, isso era quase milagre. Eles não se desgrudavam um segundo. Era engraçado e era bonito: duas pessoas que nasceram para viver em movimento finalmente aprendendo a ficar.

Matheus tinha feito o pedido para a Mia. Finalmente. E Mia estava em polvorosa, organizando o que ela chamava de “o maior casamento que o mundo verá essa década”, com planilhas e referências e uma certeza perigosa de que aquilo ia virar evento global. Matheus, por outro lado, murmurava para quem quisesse ouvir — e para quem não quisesse também — que “vai ter churrasco no fundo do quintal”. Ele dizia isso como se fosse um manifesto de sobrevivência.

Dante e Paloma ainda não faziam planos oficiais. Ainda. Dante brincava que pediria Paloma em casamento se ela pegasse o buquê de Mia. Paloma rebatia, rindo, que então ia passar longe. E todo mundo fingia acreditar. Porque a verdade — a verdade era que a forma como eles se olhavam já era um compromisso, mesmo sem anúncio.

E, no meio disso tudo, nasceu a nossa menina: Arianne. E sim, foi a Annelise quem escolheu o nome. Era lindo, de fato — mas eu só concordei quando ela prometeu, com a mão no coração e a cara mais séria do mundo, que ia chamar ela de Ari… e não de “Anne 2: o retorno”.

Eu sorri sozinha, lembrando.

Era isso que eu queria dizer no discurso. Não a parte do faturamento, nem a parte das doze lojas, nem a parte do “sucesso”. Eu queria dizer que a gente tinha sobrevivido. E que a gente tinha construído mais do que marcas: tinha construído casa.

Eu ouvi passos apressados do corredor e meu corpo reagiu antes da mente.

— Você está atrasado! — eu disparei, assim que o Christian entrou na antessala, ainda com aquele ar de quem acabou de atravessar o mundo no próprio ritmo. — Eu estava prestes a mandar alguém te buscar pelo colarinho.

Christian abriu a boca para responder, mas eu levantei a mão.

— Não temos muito tempo. — Eu apontei para a porta como se fosse um tribunal. — Mas eu preciso de um homem absurdamente gato e que finja ser um herdeiro extremamente rico ao meu lado pra eu não parecer que sou uma fracassada total.

Christian ficou parado por um segundo, e então caiu na gargalhada do jeito mais honesto do mundo.

Porque ele sabia o que eu estava fazendo.

Eu estava replicando o exato momento em que a gente se conheceu. Exatamente ali, naquela antessala. Eu lembrava do nervosismo, do teatro, da sensação de estar fingindo uma vida grande demais — e do Christian aparecendo como se o universo tivesse decidido me pregar uma peça bonita.

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