~ BIANCA ~
A madrugada tem um silêncio que não existe em mais nenhum horário.
Um silêncio de conforto.
O hospital, mesmo com luzes acesas e corredores funcionando, parecia reduzir o mundo a coisas essenciais: o som baixo do ar-condicionado, o bip distante de algum monitor, o sussurro de passos de enfermagem indo e vindo como se carregassem o equilíbrio do planeta.
Eu estava sentada na cama com a Chiara no colo.
O rostinho dela era um conjunto de detalhes que eu tentava gravar como se isso fosse possível: a boca minúscula, a pele ainda com aquele tom de recém-chegada ao mundo, o nariz delicado, as pálpebras pesadas que abriam e fechavam como se ela testasse o próprio corpo.
Nico estava ao meu lado, encostado na cabeceira, o braço apoiado atrás de mim num gesto protetor.
Ele não falava muito.
Só olhava.
Como se o silêncio fosse o jeito mais honesto de dizer “eu não acredito e eu acredito ao mesmo tempo”.
— Você tá bem? — ele perguntou baixo.
Eu poderia ter respondido com uma lista inteira.
Estou cansada. Estou dolorida. Estou assustada. Estou inteira. Estou feliz.
Em vez disso, eu olhei para ele e disse a única coisa que cabia.
— Eu tô.
Nico encostou o rosto no meu cabelo por um segundo, e eu senti a respiração dele soltar um nó.
Chiara fez um som mínimo, um murmúrio, e a minha mão apertou o corpo dela como se eu precisasse confirmar que aquilo era real.
A porta do quarto abriu com cuidado.
Uma enfermeira entrou com aquele mesmo tom profissional que consegue ser gentil sem virar íntimo.
— Como vocês estão? — ela perguntou, e os olhos dela foram direto para a bebê.
— Bem — eu respondi.
Ela se aproximou, verificou coisas rápidas, confirmou que Chiara estava tranquila.
— Agora é hora da Chiara dormir um pouco — ela disse, com uma firmeza que não abria discussão. — E vocês também precisam descansar.
Eu fiz uma careta involuntária.
— Eu não consigo — eu confessei, olhando para a minha filha.
A enfermeira sorriu, compreensiva.
— Ninguém consegue na primeira noite — ela disse. — Mas o corpo cobra.
Ela estendeu os braços.
— Eu vou colocar ela no bercinho, bem aqui do lado.
A ideia de soltar Chiara me incomodou num lugar irracional. Como se a distância de cinquenta centímetros fosse distância demais.
Mas eu deixei.
A enfermeira pegou Chiara com cuidado, como se ela fosse feita de vidro e de milagre, e a colocou no bercinho transparente ao lado da cama. Ajustou a mantinha, verificou o rostinho, e depois olhou para mim.
— Qualquer coisa, chama — ela disse. — Vocês fizeram um ótimo trabalho hoje.
Eu senti vontade de rir.
Como se parir uma criança fosse uma tarefa de escritório.
— Obrigada — eu murmurei.
Quando a porta fechou, o quarto voltou ao silêncio.
Nico ajeitou o travesseiro atrás de mim.
— Deita — ele pediu.
— Eu tô deitada — eu menti, porque eu já estava reclinada, mas a minha mente estava em pé.
Ele riu baixo.
— Bianca.
Eu olhei para o bercinho.
Chiara dormia com a boca levemente aberta, como se o mundo fosse pesado demais para manter tudo fechado.
Eu fiquei olhando.
E olhando.
E pensando como era possível alguém ser tão perfeita sem ter feito nada além de nascer.
Nico apagou a luz principal, deixou só a luz mínima de cabeceira.
— Dorme um pouco — ele repetiu.
— Eu vou tentar — eu prometi.
Eu fechei os olhos.
Eu abri de novo.
Chiara ainda estava ali.
Meu coração ainda estava inteiro.
Eu fechei os olhos outra vez, dessa vez um pouco mais tempo.
Quando eu dormi, foi como cair num lugar fundo sem perceber.
E, quando eu acordei, foi com o som de alguém batendo leve na porta.
A manhã tinha entrado no quarto antes de qualquer pessoa.
Uma luz suave atravessava a janela, e por um segundo eu levei tempo para lembrar que eu não estava em casa.
Então eu vi o bercinho.
E lembrei.
Nico estava sentado na poltrona perto da janela, com o celular na mão e uma expressão de quem tinha passado a madrugada dividindo o próprio corpo entre vigília e amor.
— Você dormiu — ele disse, como se fosse um triunfo.
— Um pouco — eu respondi, e minha voz saiu rouca.
Ele se levantou e me beijou a testa.
— Christian tá vindo — ele avisou.
— Agora?
— Agora.
Eu ajeitei o cabelo do jeito que deu, sem me enganar achando que eu estava apresentável. Nico trouxe Chiara para o meu colo, e eu senti o peso dela como uma âncora.
A porta abriu.
Christian entrou primeiro.
Zoey entrou logo atrás.
Os dois pararam por um segundo na entrada do quarto, como se o ambiente pedisse respeito.
Christian não disse nada.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Hoje 04/04, até agora não foram desbloqueados os restantes dos capítulos. Último capitulo liberado 729.... Sem nenhuma explicação. Falta de respeito com os leitores... affff...
Estou achando a história da Anne muito chata. Até agora só enrolação. Aff......
Amei esse livro!! que venham os proximos, com certeza lerei......
O último capítulo desbloqueado foi o 729...isso a quase 15 dias... Qdo a autora irá desbloquear o restante dos capítulos?...
Amei todo o livro Mas infelizmente ficou sem alguns capítulos E agora não liberam o final Muito triste 😞...
Quando vai liberar os extras?...
Um salto de 20 capítulos???? E ainda por cima depois de "obrigarem" os leitores a gastarem dinheiro, pois não disponibilizaram os 2 últimos capítulos da história para depois saltar a história e terminar desta maneira, não achei correto 🤬...
Então dá entrada do Kristian passa para a avó Martina e para a Bella, não entendi......
Poxa autora, é interessante a gente disponibilizar os capítulos gratuitos mesmo já tendo acabado de postar a história... Não dá pra toda hora ficar comprando moedas pra ler....
Boa noite... Desde 6f que não liberam os capítulos... já está ficando cansativo.... affff...