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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 727

~ BIANCA ~

Eu aprendi que rotina não é falta de emoção.

Rotina é a emoção domesticada, colocada para funcionar sem fazer barulho.

Quando o Nico voltou para os pepinos dele, eu levei a Bella — e, em dois minutos, nós já estávamos indo para o carro.

Ela ocupou o banco de trás como se fosse dona do território. Colocou a mochila no colo, olhou pela janela e depois me estudou pelo retrovisor.

— Mãe — ela chamou, no mesmo tom de quem pergunta a hora.

— Hum?

— Quando a minha irmãzinha vai nascer?

Eu soltei um ar que era metade riso, metade rendição.

— Por que essa pressa?

— Porque a sua barriga já tá enorme — ela disse, apontando sem delicadeza nenhuma, e depois completou, como se fosse um elogio: — Enorme mesmo.

— Obrigada pela delicadeza — eu respondi, fingindo indignação.

Bella riu com gosto.

— É verdade.

— É verdade — eu concordei. — Falta bem pouquinho agora. Daqui a pouco, vocês vão se conhecer.

O olhar dela acendeu.

— Eu contei pra Giulia — ela disse, como se tivesse feito um anúncio público importante. — Eu falei que eu vou ganhar uma irmãzinha e que é praticamente uma boneca viva.

Eu precisei morder o sorriso.

— Boneca viva é uma definição… interessante.

— É — Bella confirmou, convicta. — E a Giulia achou muito legal. Aí ela pediu uma pra mãe dela uma também.

Eu ri alto, sem conseguir segurar.

— Céus — eu disse, olhando para frente para não perder a direção. — A mãe dela não faz ideia de onde está se metendo.

Bella balançou a cabeça, satisfeita com a própria influência.

— E eu vou cuidar da Chiara direitinho — ela continuou, agora mais séria. — Eu vou segurar ela assim, ó. — Ela demonstrou com os braços, abraçando o ar, cuidadosa demais para uma criança que até semana passada dizia que não queria tomar banho.

Meu peito apertou com uma ternura que eu não tinha como disfarçar.

— Claro que vai — eu respondi. — Vocês vão ser melhores amigas.

Bella franziu a testa.

— A Giulia vai ficar com ciúmes.

Eu ri de novo, mas dessa vez mais baixo.

— Seu coração é grande o suficiente pra caber todo mundo.

Ela ficou pensando, olhando a paisagem de vinhedos passando pela janela, e então disse, com a lógica direta dela:

— É mesmo. Eu sou pequena, mas meu coração é grande.

Eu senti vontade de parar o carro só para abraçá-la. Em vez disso, eu estendi a mão para trás, e ela segurou meus dedos com força, como se aquela simples conexão confirmasse o que eu vinha tentando construir desde que ela apareceu na minha vida: segurança.

Quando chegamos à escola, eu fiz o que sempre faço.

Eu não deixo Bella apenas descer.

Eu estaciono, abro a porta para ela, pego a mochila, ajeito o casaco, confiro se o lanche está ali, se o cabelo não virou uma obra abstrata, se a meia está no lugar. E eu caminho com ela até o portão como se isso fosse parte do meu trabalho mais importante do dia.

Bella me deu um beijo rápido na bochecha.

— Tchau, mãe.

— Tchau, meu amor.

Eu esperei ela atravessar o portão, eu vi a professora chamar pelo nome, eu vi Bella levantar a mão como se estivesse respondendo presente no mundo. Só então eu voltei para o carro.

O café que eu escolhi ficava a duas ruas dali, pequeno, com mesas de madeira e um cheiro constante de croissant. Eu me sentei perto da janela, tirei o notebook da bolsa e abri como quem abre uma porta para o outro lado da minha vida.

A tela acendeu. Minha agenda estava organizada, meus e-mails estavam sob controle, e eu sabia que, se eu quisesse, eu poderia passar a manhã inteira ali, resolvendo coisas que não eram urgentes só porque eu gosto de deixar tudo redondo.

Mas eu não fiz isso.

Eu disquei para Matheus.

— Bianca — ele disse, sem formalidade. — Você tá bem?

— Tô — eu respondi. — Eu só queria checar se tá tudo certo por aí.

Do outro lado, eu ouvi um suspiro com humor.

— Bianca, são oito da manhã — ele disse. — Ainda não deu nem tempo de dar algo errado.

Um beijo que não tinha pressa.

Quando eu me afastei, eu encostei a testa na dele por um segundo.

— Se eu não te roubar por uns minutos, eu mal vejo meu marido — eu murmurei.

Ele riu, um riso cansado.

— Desculpa — ele pediu, sincero. — Isso aqui anda uma loucura.

Eu passei a mão na nuca dele, sentindo a tensão ali.

— Eu vi.

Ele soltou um ar e, como se precisasse encontrar uma explicação simples para o que estava acontecendo, repetiu o que ele tinha dito mais de uma vez desde que o fluxo de reservas virou rotina:

— O nome Bellucci realmente faz milagre.

Eu levantei o queixo.

— Não — eu corrigi, sem suavizar demais. — O seu amor por isso aqui que faz milagre.

Nico me olhou como se eu tivesse tirado uma armadura dele sem pedir licença.

Ele ia responder, eu vi nos olhos.

Mas meu celular vibrou na bolsa, insistente.

Eu puxei o aparelho, ainda com a mão de Nico presa na minha.

Um e-mail.

Remetente: Christian Bellucci.

Assunto em caixa alta, como se o mundo precisasse prestar atenção.

CONFIRMAÇÃO — EVENTO DE LANÇAMENTO | LINHA MONTESI por BELLUCCI.

Eu abri. Li rápido. Senti aquele calor subir pela minha coluna.

Mostrei a tela para Nico.

— Agora é real — eu disse, baixo.

Ele encostou a testa na minha.

— Agora é real — ele repetiu.

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