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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 258

~ LOGAN ~

Depois daquilo, ainda levou dois dias.

Dois dias até que eles conseguissem desentubar Mareu.

Parece pouco quando colocado assim. Mas, dentro de um hospital, esperando o corpo da mulher que você ama decidir voltar completamente para você, quarenta e oito horas têm a duração moral de um século.

Na primeira tentativa, não deu certo.

A médica tinha explicado que eles iam testar, ver como ela respondia, observar se tolerava bem. Falava com calma, com aquele tom neutro e treinado de quem lida com a esperança alheia sem poder prometer demais. Eu tentei me agarrar a isso. Ao método. À técnica. À ideia de que tudo tinha etapas, parâmetros, critérios objetivos.

Então Mareu acordou no meio daquilo e ficou agitada.

Claro que ficou.

No fim, precisaram interromper a tentativa e sedá-la um pouco mais outra vez.

Quando saí da UTI naquele dia, fui até o banheiro mais próximo, encostei as duas mãos na pia e fiquei olhando para o meu reflexo como se estivesse diante de um estranho. Eu parecia um homem funcional. Camisa limpa. Relógio no pulso. Barba já irritantemente crescida porque ninguém me convenceu a me importar com isso. Mas os olhos... os olhos já não sabiam mais fingir.

Da segunda vez a espera foi pior.

Porque eu sabia o que podia dar errado.

Fiquei sentado por menos de um minuto. Depois me levantei. Dei dez passos. Voltei. Conferi o celular sem ler nada. Sentei de novo. Levantei outra vez.

Não faço ideia de quanto tempo passou de verdade. No meu corpo, foram horas. No relógio, talvez não tanto.

Quando finalmente abriram a porta e me chamaram, minhas pernas quase falharam no caminho.

Entrei no quarto com o coração batendo alto demais e encontrei a cena que vai viver em mim para sempre.

Mareu estava sem o tubo.

Sem o maldito tubo.

Havia oxigênio suplementar, monitorização, voz rouca, cansaço, fragilidade, tudo isso. Havia marcas do procedimento e uma exaustão tão visível que me deu vontade de recolher o mundo inteiro e impedir que mais qualquer coisa a tocasse. Mas ela estava respirando sozinha.

Sozinha.

Parei ao lado da cama e fiquei olhando para ela como se meus olhos precisassem reaprender a realidade.

Mareu abriu os olhos devagar quando percebeu minha presença. Ainda estava pálida. Ainda com o corpo vencido pela batalha que tinha atravessado. Mas estava ali. Tão ali que doeu.

Os olhos dela correram pelo meu rosto com uma lentidão cansada, e então ela respirou fundo antes de insistir, quase sem som:

— Cho...rão.

Eu fechei os olhos por um segundo.

E ri.

Ri com um nó na garganta, com o peito doendo, com lágrimas quentes ameaçando de um jeito quase ofensivo para um homem da minha idade e do meu histórico de autocontrole. Ri porque era absurdo. Porque era cruel. Porque era a coisa mais linda que eu tinha ouvido em dias.

— Você acabou de voltar da UTI e essa foi a sua prioridade? — perguntei, aproximando a testa da mão dela. — Me ofender?

Ela moveu os lábios de novo. Desta vez o som não saiu, mas o olhar respondeu por ela.

Sim.

Sim, essa era a prioridade.

Foi naquele momento que eu soube, com uma certeza de que nenhuma equipe médica seria capaz de me dar em linguagem clínica, que Mareu estava voltando para mim.

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