Casamentos costumam começar com promessas. O de Edward Fitzgerald começaria com um acordo.
O silêncio que caiu no quarto foi imediato. Por um instante, Liliana teve a impressão de que havia ouvido errado.
— Desculpa… o que você disse?
Edward girou levemente o copo entre os dedos, observando o líquido âmbar no fundo antes de repetir, com a mesma tranquilidade quase irritante.
— Vou. me. casar. — repetiu pausadamente.
Liliana permaneceu absolutamente imóvel por alguns segundos. O corpo inteiro parecia congelado no lugar.
Por dentro, porém, algo despencou. Foi uma sensação repentina e brutal, como se alguma estrutura inteira dentro do peito tivesse cedido de uma vez só. Mas nada disso atravessou a superfície. Seu rosto permaneceu impecavelmente controlado, moldado por anos de disciplina emocional e orgulho. Nenhum músculo denunciou o impacto real daquelas palavras.
Foi quando soltou uma pequena risada baixa, curta, quase elegante mas carregada de uma ironia sutil que parecia muito mais um mecanismo de defesa do que qualquer vestígio verdadeiro de humor.
— Isso é algum tipo de piada?
Edward virou o rosto para ela a encarando com o olhar frio e indiferente respondeu:
— Não.
Liliana sustentou o olhar dele por alguns segundos, procurando qualquer sinal de sarcasmo, ou rachadura naquela expressão calma. Mas não encontrou nada.
— Desde quando você quer casar?
— Não quero.
A resposta veio imediata e sem emoção.
Ela piscou uma vez, lentamente.
— Então… por quê?
Edward apoiou o copo de whisky na mesa lateral.
— Meu avô quer que eu prove que sou um homem responsável, capaz de formar uma família.
Liliana estreitou os olhos.
— E você resolveu obedecer?
Ele deu de ombros com desinteresse.
— É conveniente.
A palavra caiu no ar como algo frio e calculado. Liliana inclinou levemente a cabeça, observando-o com mais atenção.
— E posso saber quem é essa mulher?
Edward hesitou apenas um segundo antes de responder.
— Uma funcionária.
A expressão de Liliana mudou de forma quase imperceptível. Um músculo no maxilar se contraiu.
— Funcionária?
— Sim.
Ela soltou uma pequena risada seca. Mas agora o som tinha uma ponta de incredulidade.
— De todas as mulheres que passaram pela sua vida… você escolhe logo uma funcionária?
Ela se sentou melhor na cama.
— E quem exatamente é essa funcionária?
Edward respondeu sem qualquer emoção aparente.
— Dayse Whitmore.
O nome caiu no ar como uma pedra. Liliana ficou alguns segundos em silêncio. Depois encarou Edward.
— Não acredito.
Ele arqueou levemente uma sobrancelha.

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