Dayse Whitmore
O presidente da empresa tinha acabado de me pedir em casamento.
E o pior de tudo… era que eu já tinha passado a noite com ele.
Talvez fosse por isso que eu estava empurrando a porta de um pub numa quarta-feira à noite, algo que eu simplesmente não fazia.
Minha vida sempre foi organizada demais para impulsos.
Era feita de horários rígidos, planilhas, contratos e reuniões intermináveis, enquanto eu tentava manter minha carreira impecável em uma empresa onde qualquer erro poderia custar muito mais do que um simples pedido de desculpas. Além disso, eu acreditava ter um relacionamento estável… ou pelo menos era o que eu pensava até então.
Mas naquela noite, enquanto o carro parava em frente ao pub iluminado por uma fileira de lâmpadas amarelas penduradas sobre a fachada de tijolos aparentes, eu tinha a sensação muito clara de que minha vida tinha decidido sair completamente do controle.
Respirei fundo antes de descer.
O ar da noite estava fresco, carregava o cheiro distante de chuva e o som abafado de música vindo de dentro do bar. Alisei o tecido do meu vestido no automático, um gesto quase inconsciente.
Na verdade, eu nem tinha pensado muito no vestido que escolhi naquela noite. Peguei algo simples do armário. Era um vestido preto, de corte elegante, que se ajustava ao meu corpo na medida certa, e acompanhava minhas curvas de forma natural, sem parecer exagerado ou provocante demais.
Meu cabelo estava solto, e caía em ondas suaves sobre os ombros, a maquiagem era leve, apenas o suficiente para esconder o cansaço que aquele dia tinha deixado marcado em mim, ou pelo menos eu esperava que escondesse.
Empurrei a porta do pub e, no instante em que entrei, o som do lugar me envolveu imediatamente. A música tocava alta ao fundo, misturada ao burburinho animado das conversas, às risadas espalhadas pelas mesas e ao tilintar constante de copos sendo erguidos ou pousados no balcão.
E então aconteceu exatamente o que sempre acontecia quando uma mulher entrava sozinha em um lugar como aquele.
Alguns olhares se voltaram imediatamente na minha direção. Alguns eram discretos, rápidos, quase educados. Outros, no entanto, eram abertamente curiosos, demorados demais para serem ignorados.
Um grupo de homens que conversava perto do balcão chegou a interromper a conversa por alguns segundos quando eu passei. Os olhos deles percorreram meu corpo com aquele tipo de interesse que eu já tinha aprendido a reconhecer desde muito jovem. Um deles ainda levantou o copo na minha direção, em um gesto silencioso de cumprimento, acompanhado de um sorriso que deixava claro que ele estava se divertindo com a situação.
Eu ignorei todos porque naquele momento minha cabeça estava ocupada demais tentando processar uma única coisa.
Edward Alexander Fitzgerald e a proposta absurda que ele tinha feito naquela tarde.
Meu olhar percorreu o salão até encontrar as duas figuras que eu já esperava. Marina e Clara estavam sentadas em uma mesa mais ao fundo, perto da parede de tijolos, iluminadas pela luz suave de um abajur antigo que deixava o ambiente quase aconchegante. Assim que Marina me viu entrando, ela se levantou tão rápido que quase derrubou a cadeira.
— Dayse!
Antes que eu pudesse sequer dizer alguma coisa, ela já estava atravessando o pequeno espaço entre as mesas e me puxando para um abraço apertado.
Eu senti imediatamente a tensão no corpo dela. Ela devia estar se sentindo culpada pelo o que havia acontecido. Ela sempre agia assim, como se cada erro do mundo fosse responsabilidade dela.
— Eu sinto muito — disse rápido, com a voz baixa, quase atropelando as próprias palavras. — Dayse, eu passei a tarde inteira pensando nisso e… se você quiser eu assumo a culpa. Eu falo com ele amanhã. Eu digo que o erro foi meu, que eu revisei o contrato errado… se ele quiser me demitir, tudo bem. Mas eu não posso deixar você pagar por algo que foi minha falha.
Eu me afastei um pouco do abraço apenas o suficiente para olhar diretamente para o rosto dela.
— Marina…
Ela ainda parecia angustiada. Seus olhos escuros estavam carregados de preocupação. Suspirei fundo segurando seus ombros e olhando para ela disse:

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