A reunião da presidência nunca era convocada sem motivo.
E naquela manhã, enquanto os acionistas se acomodavam em silêncio na sala de reuniões da empresa Fitzgerald Global Corporation, todos sabiam que algo muito errado havia acontecido. O que ninguém imaginava… era que o responsável por um prejuízo de quatro milhões de dólares estava sentado ali entre eles.
Na sala de reuniões da presidência, o clima era tenso.
Os acionistas já estavam sentados. Alguns folheavam documentos, outros conversavam em voz baixa.
Dayse, Marina e Clara já estavam dentro da sala, assim como outros funcionários e todos pareciam confusos e assustados.
De repente a porta se abriu e Edward Alexander Fitzgerald entrou. Alto, elegante e com aquela postura que transmitia autoridade antes mesmo de qualquer palavra ser dita.
Ao lado dele vinha Liliana Hart, advogada principal da empresa.
— Senhor Fitzgerald, a auditoria revelou um problema sério.
Ela projetou um gráfico na tela.
— Um erro contratual causou um prejuízo estimado em quatro milhões de dólares.
O murmúrio que se espalhou pela sala foi imediato, como uma onda de choque atravessando a mesa longa de reuniões. Um dos acionistas mais velhos bateu a palma da mão sobre os documentos à sua frente.
— Isso é inadmissível! Como um erro desse tamanho passa pelo departamento jurídico?
Outro homem, sentado mais ao fundo, inclinou-se para frente com a expressão de indignação.
— Estamos falando de quatro milhões de dólares por causa de uma cláusula mal revisada?
Uma mulher de terno azul escuro virou o rosto em direção a Liliana, analisando-a com evidente desaprovação.
— Quem foi o responsável por isso?
— O contrato foi aprovado esta manhã — continuou Liliana deslizando o documento na tela. — assinado por…
Ela virou o rosto lentamente.
— Dayse Whitmore.
Dayse sentiu o mundo parar.
— O quê?
Os acionistas começaram a falar todos ao mesmo tempo.
— Isso é absurdo.
— Uma funcionária júnior aprovando contratos desse valor?
— Quem autorizou isso?
— Esse tipo de descuido pode comprometer negociações futuras.
— Quatro milhões não são troco de café!
Liliana cruzou os braços com um leve sorriso que não chegou aos olhos.
— Eu sempre disse que algumas pessoas aqui não estão preparadas para o nível desta empresa.
Os murmúrios continuaram e Edward permaneceu observando em silêncio.
— A senhorita leu o contrato antes de assiná-lo? — perguntou um acionista
Outro completou, com impaciência evidente:
— Porque se não leu, isso é negligência. E negligência desse nível costuma ter consequências sérias.
Dayse sentiu o coração bater com força dentro do peito. Ela abriu a boca novamente, tentando encontrar alguma explicação, qualquer coisa que fizesse sentido. Mas as palavras simplesmente não vinham. Lembrou do documento entregue por Marina, e por ter assinado sem revisar e naquele momento ela teve a certeza de que era culpada.
Edward observava cada reação dela em silêncio.
O choque.
A confusão.
O medo.
Mas, naquele momento, ele não estava realmente preocupado com o prejuízo de quatro milhões de dólares. O que rondava sua mente era uma pergunta muito mais interessante.
Ela realmente não se lembra de mim… Ou está fingindo?
Os murmúrios continuavam aumentando ao redor da mesa.
— Isso precisa de uma investigação interna.
— A empresa não pode assumir um erro desses.
— Alguém precisa ser responsabilizado.
— Isso é um desastre jurídico.
Foi então que Edward finalmente falou.
— Chega!
A palavra foi dita com tanta autoridade que atravessou a sala como um trovão, silenciando imediatamente todas as vozes. Edward olhou diretamente para Dayse.
— Senhorita Whitmore...
O coração dela disparou.
— Si- sim…
— Venha comigo até a minha sala.
Quando a porta do escritório se fechou atrás dela, o silêncio que se instalou ali dentro parecia ainda mais pesado do que o da sala de reuniões. Dayse respirou fundo e começou a falar desesperada:
— Senhor Fitzgerald, eu juro que não…
Ele a interrompeu com calma.
— Ontem à noite eu estava em um bar.
Ela piscou confusa.
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