“O sexo muda muita coisa. Mas é a manhã seguinte que define tudo.”
O problema nunca foi dormir com Edward Fitzgerald.
O verdadeiro problema começou no instante em que Dayse abriu os olhos e percebeu que continuava dentro do quarto dele, envolvida pelo cheiro masculino impregnado nos lençóis, pelo calor da cama ainda bagunçada e pela lembrança perigosamente viva de tudo o que tinha acontecido entre os dois durante a madrugada.
Ela piscou devagar, ainda sonolenta, antes de deixar os olhos percorrerem o quarto parcialmente iluminado pelas luzes suaves da cidade que atravessavam os enormes vidros atrás da cama.
As roupas continuavam espalhadas pelo chão. A camisa social dele caída perto da poltrona. As roupas dela foram abandonadas ao lado da cama. E Edward estava sentado na poltrona, observando-a em absoluto silêncio.
O coração de Dayse acelerou imediatamente.
Ele vestia apenas uma calça de moletom escura e baixa na cintura, enquanto os antebraços fortes permaneciam apoiados sobre as pernas e os olhos azuis observavam Dayse atentamente, fazendo o coração dela acelerar de nervosismo no mesmo instante.
Porque por um breve instante o medo voltou.
O medo de que toda a intensidade da noite anterior desaparecesse assim que o dia começasse. O medo de que Edward voltasse a erguer as barreiras emocionais que passou meses sustentando entre eles. O medo de perceber que talvez tivesse se entregado muito mais do que deveria.
Mas então Edward sorriu.
E foi um sorriso pequeno, cansado e absurdamente verdadeiro, do tipo que Dayse raramente via nele daquela forma.
Ele se levantou devagar da poltrona, caminhou até a cama sem desviar os olhos dela nem por um segundo e se inclinou lentamente até seus rostos ficarem próximos outra vez.
Dayse prendeu a respiração no instante em que sentiu os lábios dele tocarem os seus num beijo lento e calmo, completamente diferente da intensidade desesperada da madrugada anterior.
Aquele beijo parecia íntimo e carinhoso.
— Bom dia, pequena… — murmurou contra os lábios dela com a voz rouca de sono, enquanto os dedos afastaram delicadamente alguns fios bagunçados do cabelo dela do rosto.
Dayse fechou os olhos por um instante ao sentir o coração acelerar diante da naturalidade daquele gesto.
Edward desceu os lábios devagar até o ombro nu dela que escapava do lençol e depositou um beijo lento ali antes de sussurrar perto de sua pele:
— Está com fome?
Dayse mordeu o lábio imediatamente, tentando esconder o sorriso pequeno que insistia em surgir enquanto sentia o coração bater rápido demais perto dele.
O canto da boca masculina se ergueu num sorriso provocador enquanto os olhos desciam lentamente até os lábios dela outra vez.
— Não faça isso comigo logo cedo… — Edward murmurou baixo, aproximando o rosto do dela outra vez enquanto os olhos desciam lentamente até os lábios femininos. — Você ainda nem saiu da minha cama e eu já estou pensando seriamente em me juntar a você novamente.
O rosto de Dayse esquentou na mesma hora.
— Edward…
A risada baixa e rouca dele atravessou o quarto antes que ele se inclinasse novamente apenas para beijar a testa dela com uma calma quase absurda para um homem que sempre viveu fugindo da permanência emocional.
— Fica aí. Eu volto já.
Dayse observou Edward sair do quarto e só conseguiu respirar direito quando a porta se fechou atrás dele.
Ele não tinha ido embora, não parecia arrependido e muito menos tinha voltado a agir com frieza, ele simplesmente tinha escolhido ficar.
Alguns minutos depois, ainda tentando processar tudo o que estava sentindo, Dayse saiu devagar da cama e caminhou descalça pelo quarto silencioso até pegar a camisa branca dele caída sobre a poltrona.
Ela levou o tecido até o rosto por um breve instante antes de vestir a peça lentamente, fechando apenas alguns botões enquanto o cheiro dele permanecia preso na camisa de um jeito íntimo.
O tecido largo deslizava pelas coxas nuas dela enquanto os cabelos continuavam bagunçados da noite anterior, e foi exatamente assim que Edward a encontrou quando voltou para o quarto segurando uma bandeja de café da manhã.
Porque aquilo não parecia a manhã seguinte de um erro.
Parecia a manhã seguinte de uma decisão que nenhum dos dois queria desfazer.
E talvez o mais estranho fosse perceber que Edward parecia confortável dentro daquela intimidade, como se acordar ao lado dela, dividir café na cama e continuar tocando-a daquele jeito tivesse se tornado a coisa mais natural do mundo.
Quando a bandeja foi deixada de lado, Edward voltou a se aproximar dela devagar, segurando seu rosto com uma das mãos antes de beijá-la novamente com calma.
O beijo começou lento, mas o desejo voltou quase imediatamente no instante em que Dayse segurou a nuca dele e o puxou ainda mais para perto.
Edward soltou uma respiração pesada contra os lábios dela antes de segurá-la pela cintura e fazê-la sentar novamente sobre suas pernas, enquanto a camisa branca que ela vestia escorregava devagar por um dos ombros.
Os olhos dele acompanharam o movimento imediatamente.
A mandíbula masculina voltou a tensionar enquanto os dedos apertavam lentamente a cintura dela por cima do tecido da camisa.
— Você tem ideia do que essa visão está fazendo comigo? — ele perguntou com a voz baixa e rouca, mantendo os olhos presos nela.
Dayse sustentou o olhar dele por alguns segundos enquanto os dedos brincavam lentamente com o cós da calça de moletom masculina.
Então se inclinou devagar até os lábios dele, roçando a boca na dele antes de sussurrar baixinho:
— Acho que dessa vez eu prefiro você sem o moletom…
Edward fechou os olhos imediatamente.
A mandíbula masculina se contraiu com força.
E quando voltou a encará-la, Dayse percebeu na mesma hora que tinha acabado de destruir o pouco autocontrole que ainda restava nele.

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