“Alguns homens passam anos escondendo sentimentos. Até o instante em que deixam de se importar com quem está olhando.”
O problema de homens como Edward Fitzgerald nunca foi sentir alguma coisa por uma mulher.
O verdadeiro problema sempre começava no instante em que aquilo deixava de ser apenas um sentimento silencioso e passava a ser percebido pelo mundo ao redor.
E naquela manhã, enquanto o carro preto estacionava diante da entrada principal da Fitzgerald Corporation em meio ao movimento intenso de Manhattan, com executivos atravessando a calçada apressados e funcionários entrando no enorme prédio de vidro segurando cafés e celulares, Edward parecia perigosamente incapaz de esconder o que sentia por Dayse Whitmore.
Dayse percebeu que algo estava diferente no instante em que ele saiu do carro e contornou o veículo com calma, até parar ao lado da porta dela.
O semblante masculino permanecia sério como sempre, mas menos rígido, menos frio. Como se alguma coisa dentro dele tivesse finalmente relaxado depois de meses vivendo em estado permanente de autocontrole.
E talvez o mais perigoso de tudo fosse perceber que aquilo deixava Edward ainda mais bonito.
Muito mais bonito.
Ele abriu a porta para ela sem desviar os olhos do rosto dela por um segundo sequer e Dayse precisou prender discretamente a respiração antes de sair do carro, porque o jeito que aquele homem continuava olhando para ela depois da noite anterior simplesmente não parecia saudável para o coração de ninguém.
Os olhos azuis desceram lentamente até a boca dela antes de voltarem para seus olhos. O desejo ainda estava evidente e isso fez o coração de Dayse tropeçar imediatamente dentro do peito.
Ela tentou ignorar, tentou sustentar a postura e agir normalmente enquanto ajeitava a alça da bolsa no ombro e o bagunçava alguns fios do seu cabelo, mas foi inútil. Porque Edward continuava olhando para ela como um homem que queria mais.
— Para de me olhar assim… — murmurou baixo, sem conseguir impedir o pequeno sorriso nervoso que surgiu no canto dos lábios.
O canto da boca dele se ergueu minimamente.
— Assim como?
Dayse sentiu o rosto aquecer no mesmo instante.
— Como se estivesse pensando besteira.
Edward soltou uma risada baixa e rouca enquanto aproximava um pouco mais o corpo do dela antes de responder:
— Pequena… eu definitivamente estou pensando besteira.
Os olhos dela se arregalaram imediatamente.
— Edward!
Ele apenas arqueou uma sobrancelha, completamente satisfeito com o efeito que causava nela, antes de deslizar a mão lentamente para a cintura de Dayse e guiá-la em direção à entrada principal da empresa.
E foi exatamente aí que o problema começou.
Porque, por mais que toda Manhattan já soubesse sobre o noivado dos dois depois das fotos, dos eventos e das aparições públicas cuidadosamente calculadas pela mídia, quase ninguém jamais tinha visto Edward Fitzgerald tão próximo, tão naturalmente íntimo e tão confortável ao lado de Dayse diante de outras pessoas.
As pessoas desaceleraram os passos apenas para olhar.
A recepcionista praticamente esqueceu de respirar quando viu o presidente atravessando o enorme saguão de mármore mantendo a mão firme na cintura de Dayse enquanto os dois caminhavam lado a lado, próximos demais para parecer apenas encenação.
Os cochichos começaram quase imediatamente.
— Meu Deus…
— Você viu isso?
— Eles nunca chegaram juntos assim antes.
— Ele está diferente perto dela.
— Garota de sorte …
Dayse sentiu o coração acelerar no mesmo instante em que percebeu dezenas de olhares acompanhando cada passo dos dois através do saguão inteiro, mas Edward simplesmente não pareceu se importar.
Na verdade, o leve sorriso satisfeito no canto da boca masculina deixava perigosamente claro que talvez ele estivesse gostando exatamente do efeito que aquilo causava.
O elevador corporativo subiu em silêncio enquanto Dayse mantinha os braços cruzados na frente do corpo tentando inutilmente controlar o próprio nervosismo diante da maneira tranquila como Edward permanecia ao lado dela.
Porque Edward Fitzgerald não era homem de demonstrações públicas. Muito menos dentro da própria empresa.
Quando as portas do elevador finalmente se abriram no andar do departamento jurídico, o ambiente inteiro pareceu desacelerar.
Marina foi a primeira a levantar os olhos e encarar a amiga ao lado do “chefe". Clara ergueu a cabeça logo em seguida no meio de uma reclamação sobre uma petição atrasada e as duas congelaram.
E então as duas congelaram.
Porque Edward Fitzgerald estava entrando no departamento jurídico com Dayse ao lado dele enquanto mantinha a mão firme na cintura dela de um jeito absurdamente possessivo.
Clara arregalou tanto os olhos que quase derrubou a caneta que segurava.
O choque coletivo foi quase cômico.
Clara levou as duas mãos até a própria boca enquanto praticamente pulava parada no lugar, completamente incapaz de esconder a empolgação ao ver a cena acontecendo bem diante dela.
— Finalmente. — ela sussurrou num tom triunfante antes de agarrar o braço de Marina com força. — Tá vendo isso, Marina? Eu falei que ninguém resiste à nossa amiga por muito tempo.
Marina soltou uma risada baixa enquanto observava Edward beijando Dayse sem a menor preocupação com os funcionários ao redor.
— Acho que o nosso chefe acabou de desistir oficialmente de fingir que não é apaixonado por ela.
Clara abriu um sorriso enorme imediatamente.
— E sinceramente? Já estava demorando.
Os olhos dela suavizaram imediatamente ao perceber o jeito que Edward segurava Dayse.
Com um cuidado firme e carregado de afeto. Como se tivesse finalmente parado de lutar contra o que sentia. Ele a beijava daquele jeito lento, profundo e absurdamente íntimo como se realmente não existisse mais ninguém naquele andar inteiro.
Quando finalmente se afastou alguns centímetros, Dayse estava completamente sem ar. As bochechas queimavam, os olhos brilhavam e a respiração saiu falha enquanto ela tentava inutilmente reorganizar os próprios pensamentos.
Edward ainda estava bem próximo dela quando murmurou, com a voz rouca:
— Almoçamos juntos?
Dayse piscou lentamente tentando recuperar o raciocínio enquanto tentava controlar as batidas do coração.
— E-eu…
O sorriso masculino aumentou minimamente ao perceber o estado dela.
— Sim… — ela respondeu por fim, ainda trêmula.
Edward sustentou o olhar dela por mais um segundo antes de dar uma pequena piscadela provocadora.
— Até mais tarde, senhorita Whitmore.
E enquanto Edward se afastava pelo corredor com aquele sorriso perigosamente satisfeito no canto da boca, Dayse percebeu, completamente sem ar, que o homem mais controlado de Manhattan tinha acabado de beijá-la na frente da empresa inteira… sem demonstrar o menor arrependimento.

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