Edward Fitzgerald nunca acreditou em casamento, e muito menos em amor.
Para ele, sentimentos sempre pareceram uma espécie de fraqueza elegante que as pessoas insistiam em romantizar, como se emoções fossem virtudes nobres e não impulsos imprevisíveis capazes de comprometer decisões importantes.
Na visão de Edward, amor sempre foi tratado como algo grandioso demais para aquilo que realmente era: uma distração cara, instável e perigosamente irracional para alguém que comandava um império como o dele, um homem cuja vida inteira girava em torno de controle, estratégia e poder.
Desde muito jovem, ele havia aprendido a olhar para o mundo através de uma lógica fria, quase matemática, onde tudo precisava fazer sentido, gerar resultados e, acima de tudo, permanecer sob controle.
Emoções, no entanto, nunca obedeciam a essas regras. Emoções criavam vulnerabilidades, expectativas e fraquezas, três coisas que Edward Fitzgerald havia passado a vida inteira evitando.
Arrogante, disciplinado e profundamente consciente da própria posição no mundo, Edward havia construído sua visão de vida sobre uma estrutura mental simples e eficiente: sentimentos eram imprevisíveis, frágeis e, quase sempre, decepcionantes.
Relações baseadas em sentimentos raramente permaneciam estáveis, cedo ou tarde, se transformavam em conflitos silenciosos, expectativas frustradas e promessas que inevitavelmente acabavam quebradas.
Ele já havia visto aquilo acontecer muitas vezes ao seu redor.
Homens inteligentes arruinando carreiras por causa de mulheres. Famílias inteiras sendo destruídas por traições motivadas por paixão. Empresas perdendo milhões por causa de decisões emocionais tomadas em momentos de fraqueza.
Edward nunca teve paciência para esse tipo de caos.
Na visão dele, compromissos emocionais eram frágeis demais para alguém que vivia cercado de decisões milionárias, responsabilidades estratégicas e negociações que determinavam o destino de milhares de pessoas. Um homem que ocupava a posição que ele ocupava não podia se permitir o luxo de errar por causa de sentimentos.
Amor não era apenas inútil.
Era perigoso.
Compromissos emocionais, na lógica fria que Edward havia desenvolvido ao longo dos anos, eram instáveis demais para um homem que precisava manter controle absoluto sobre tudo ao seu redor. Um deslize emocional podia gerar consequências imprevisíveis e Edward Fitzgerald nunca tolerou imprevisibilidade.
Os contratos, por outro lado, eram diferentes.
Tinham lógica, estrutura, cláusulas claras, prazos definidos e, acima de tudo, consequências bem estabelecidas. Um contrato não dependia de emoções, expectativas ou ilusões românticas. Um contrato era objetivo, racional e direto, exatamente o tipo de acordo que Edward sempre preferiu.
Contratos não se apaixonam, não criam drama, não quebravam o coração de ninguém.
Foi exatamente por isso que, quando finalmente decidiu que iria se casar, Edward não procurou amor, nem paixão, nem qualquer tipo de ligação emocional. Ele não procurou alguém que despertasse sentimentos, nem alguém que pudesse transformar sua vida em uma história romântica digna de novelas ou fantasias sentimentais.
Edward Fitzgerald procurou apenas uma solução.
Uma solução prática, eficiente e perfeitamente alinhada com o tipo de decisões que sempre havia tomado ao longo da vida.
O casamento, para ele, não era um sonho, era uma estratégia. Um movimento calculado dentro de um jogo maior.
E naquela noite, no silêncio elegante de seu apartamento em Manhattan, cercado pelas luzes infinitas da cidade que brilhavam através das janelas enormes do último andar, Edward estava prestes a anunciar essa decisão com a mesma frieza calculada com que costumava conduzir seus negócios, como se estivesse simplesmente comunicando mais uma decisão corporativa em uma sala de reuniões.
Para ele, aquilo era apenas mais um acordo. Mais um movimento estratégico. Mais uma escolha racional dentro de uma vida construída sobre lógica e controle.
O que tornava aquele momento ligeiramente mais delicado era o fato de que a mulher que o ouvia naquele instante, talvez fosse a única pessoa no mundo que realmente acreditava que, algum dia, poderia ser escolhida por ele.
Liliana.
O apartamento de Edward Fitzgerald ocupava quase todo o último andar de um prédio luxuoso em Manhattan.



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