Ao perceber o horário apertado, Nina precisava se apressar para o trabalho.
— Diretor Fontes, está ficando tarde e preciso ir trabalhar. Não vou convidá-lo para o café da manhã.
A atitude de expulsá-lo ficou nítida.
Por dentro, Francisco xingou-a de 'ingrata', mas seu corpo permaneceu imóvel.
Agora que o peso no peito havia sumido, a fadiga o atingiu; estava cansado e queria dormir.
O instinto inicial de Nina era recusar, mas ao levantar o olhar, notou os olhos de Francisco injetados de sangue.
Deixa pra lá, afinal de contas, foi por culpa dela que ele não dormiu a noite inteira.
E se ele tivesse um ataque fulminante ali e ela fosse responsabilizada?
— Está bem, você pode dormir aí.
Ela abriu o sofá, transformando-o num sofá-cama, e acenou para que Francisco se deitasse.
— É mais espaçoso assim, vai ser confortável.
Antes de sair, hesitou por um instante e se virou.
— Se estiver com fome, tem pão e leite na geladeira.
Francisco se deitou no sofá, envolto pelo perfume do corpo de Nina que permeava o ambiente.
Era um cheiro caloroso e reconfortante.
Logo, ele adormeceu.
Quando acordou, já passava do meio-dia, e o seu celular quase explodia de tantas ligações.
Ainda bem que tinha o Assistente Campos. Ele inventou uma desculpa e anunciou que, devido a um imprevisto, Francisco não iria à empresa naquele dia.
Com suas pernas longas cruzadas diante de uma mesa de jantar meio apertada, Francisco comia sem pressa o que encontrou na geladeira de Nina, enquanto telefonava para o Assistente Campos.
— Assistente Campos, peço que investigue mais uma coisa para mim: o histórico de vida da Nina nos últimos dez anos e... o seu estado civil.
Desde que chegou à empresa pela manhã até o meio-dia, o Assistente Campos trabalhou incansavelmente, sem tempo de beber um gole d'água sequer.
Quando finalmente terminou suas tarefas, encostou na parede da copa para respirar fundo, em segredo.
Para onde o Diretor Fontes havia ido afinal? Não retornava ligações nem mensagens, estava totalmente incomunicável.
Sendo seu assistente há cinco anos, Abel Campos sabia que o chefe era sempre muito empenhado e nunca falhara num momento importante.
Desaparecer sem avisar como hoje era algo inédito.
Ao lembrar do que aconteceu na noite anterior, o chefe ligou para ele no meio da noite para procurar a Srta. Almeida, para depois mandar ele ir dormir durante a madrugada.
O assistente cogitou em sua mente: o desaparecimento do chefe certamente tinha algo a ver com a Srta. Almeida.
Será que o chefe gosta da Srta. Almeida?

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