Foi só isso? Nada mais?
O Sr. Chagas não entendia quais eram os reais sentimentos do patrão em relação à Srta. Almeida.
Gostava dela ou não?
Se gostava, por que agiu com tanta tranquilidade ao saber que ela tinha se mudado?
Porém, dizer que não gostava... esperar em frente à estação de metrô em dia de chuva apenas por um encontro ao acaso não parecia a atitude de quem não se importava.
Ele pretendia insistir, mas então ouviu a voz de Francisco.
— Procure saber se ainda tem algum apartamento vazio para alugar naquele prédio de onde saímos há pouco.
Dito isso, ele acrescentou:
— De preferência um no oitavo andar da Torre Doze.
Torre Doze, oitavo andar... era exatamente onde Nina morava.
Os olhos do Sr. Chagas quase saltaram das órbitas. Por que o patrão largaria uma mansão daquelas para ir morar num apartamento caindo aos pedaços? Qual era o sentido?
Ele já beirava os trinta anos. Por que sujeitar-se a algo tão extremo?
A vontade de questionar era imensa, mas lembrando que sua pergunta anterior ficara sem resposta, sabia que, se perguntasse novamente, ele o evitaria.
O carro logo chegou ao extenso estacionamento do Grupo Horizonte. Francisco subiu pelo elevador, enquanto o Sr. Chagas ficou no carro procurando imóveis.
Pouco tempo depois, o Assistente Campos desceu.
Rápido no gatilho, o Sr. Chagas segurou a porta do carro do assistente e esfregou as mãos.
— Assistente Campos, bom dia.
O assistente ergueu o punho e deu uns tapinhas no relógio.
Já eram duas da tarde.
Rindo sem jeito, o motorista justificou:
— Eu estava indo buscar o patrão no apartamento e perdi a noção do tempo.
E lançando um olhar cúmplice ao assistente, instigou:
— Você sabe o motivo do patrão estar naquele apartamento?
Ainda quer se mudar para lá.
A mão de Abel, prestes a fechar a porta, hesitou.
Na noite passada, o Diretor Fontes não estava na vila, mas sim no apartamento?

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