Nina ficou em choque.
Ela vacilou sem ter ideia do que pensar. O que Francisco Fontes estaria fazendo ali?
Ele viera atrás dela?
— Diretor Fontes, precisa de alguma coisa?
Não era presunção achar que ele viera vê-la, mas sim o fato de jamais imaginar que um homem do porte dele cogitasse mudar-se para um local como aquele.
Francisco empurrou a armação preta dos óculos na ponte do nariz.
— E quem disse que vim atrás de você?
— Então o que...
— Eu moro aqui.
A mente de Nina parou por um instante e logo resgatou a memória de trombar com o Sr. Chagas na tarde anterior.
Ou seja, o motorista não vivia lá, mas estava de fato auxiliando com a mudança do Francisco?
Ainda intrigada, sua mente formava nós impossíveis de desfazer.
— Por que raios você veio morar aqui? A vida em uma mansão era tão dura assim?
As portas abriram-se e o homem as ultrapassou a passos largos com Nina logo atrás.
— Você não faz perguntas demais? — questionou o homem com um sorriso cínico.
Repreendendo-se por falar à toa, Nina deu um riso amargo.
— Realmente, eu falo muito.
E com isso, ela cobriu o rosto com a máscara e desviou os olhos para o celular num silêncio reprovador.
Francisco respondeu com um sorriso congelante.
Com ele, ela descarregava toda a fúria.
Onde estava toda essa coragem contra o Gustavo?
Já tinha chifres brotando da cabeça e não pedia divórcio... que mulher sem brio!
Num lugar exíguo feito aquele elevador, a bufada dele a fez virar o rosto.
O que ele estava rindo ali?
Nesse exato instante, o celular surgiu bem na sua frente.
Sua voz soou densa, adentrando nos ouvidos de Nina em conjunto com as letras na tela do celular:
— Li isso na internet e estou te mostrando. O marido da mulher cometeu adultério por anos a fio, ostentando a amante na rua. A mulher imaginou que a paciência traria o arrependimento do marido. Quem diria... tsc, quem diria...
— O que aconteceu? — Indagou Nina, olhando-o curiosa. Seus grandes olhos brancos e negros mergulhavam na narrativa de forma curiosa.
Francisco cerrou as mandíbulas antes de replicar:
— No fim o homem não só sumiu como levou os filhos junto.
— Ah.
Francisco a fitou com a mão nos bolsos.
— Consegue imaginar a dor dela?
— Hã? — Nina piscou, confusa. — Mas eu não tenho filhos.

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