Verônica ficou paralisada, completamente surpresa com a reação fria de Nina.
Seu rosto não revelava nem um pingo de tristeza ou mágoa.
Ela não tinha sido secretamente apaixonada por Gustavo durante dez anos?
Verônica, desesperada para retrucar, falou sem medir as palavras:
— Você sabe como eu vim parar neste banquete? O Gustavo mandou eu vir como a Sra. Mendes. Eu sou a verdadeira Sra. Mendes. E você, você é apenas uma substituta vinda do interior!
Nina soltou uma risada debochada.
— Parabéns, Sra. Mendes. Finalmente conseguiu o que queria. Espero que no salão do banquete você também consiga falar com tanta confiança. Quer que eu lhe entregue um microfone para você gritar isso na frente de todos os convidados?
Nina já estava farta de ser a tal Sra. Mendes. Se outra pessoa queria esse título, que o tomasse.
Resta saber se a família Mendes aprovaria isso.
Verônica arregalou os olhos, prestes a pular das órbitas. Parecia um galo derrotado em uma briga, olhando para Nina com incredulidade.
Nina rolou os olhos e se virou em direção ao pátio.
Tanto ela quanto Verônica eram apenas ferramentas nas mãos da família Mendes.
A lua brilhava solitária no céu, o ar estava úmido e Nina puxou o cardigã em torno do corpo, beliscando distraidamente as flores no jardim.
— Você não tinha mais o que fazer e decidiu vir ao jardim assassinar as flores?
A familiar voz grave soou.
Nina desviou os olhos da flor para os sapatos de couro preto de sola fina que haviam surgido no chão.
Subindo o olhar aos poucos, ela encontrou um homem usando um terno de três peças, com uma mão no bolso, numa postura relaxada e preguiçosa, a poucos passos de distância.
Suas feições eram profundas, os contornos esculpidos. Continuava tão bonito quanto sempre.
Nina imaginou que toparia com Francisco na mansão dos Mendes, mas não contava que seria tão depressa.
Teve vontade de simplesmente dar as costas e ir embora, mas lembrou-se de que ele era o cliente todo-poderoso e ainda segurava a caneta sobre o contrato não assinado.
Depois de ponderar um pouco, reuniu coragem e saudou-o:
— Diretor Fontes.
Francisco caminhou lentamente em sua direção e, ao ver a flor impiedosamente destroçada no chão, ergueu uma sobrancelha.
— Que morte mais injusta.
Nina franziu a testa.
Por acaso ele havia sido possuído pelo espírito de um poeta trágico? Com tempo de sobra para se preocupar com as injustiças da vida de uma flor...
Nina respirou fundo e respondeu:
— Não foi injusta. Ao cair e virar lama, ela aduba a terra para proteger outras flores.
Francisco se inclinou, pegou uma pétala caída, brincou com ela entre os dedos e, ouvindo a resposta, zombou:

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