Apesar de já estar profundamente decepcionada com Gustavo, lembrar que a pessoa por quem ela fora apaixonada havia se tornado tão desprezível ainda lhe causava um aperto no coração.
— Nina, você já chegou? Por que veio tão cedo?
Ao ver Nina, Gustavo abriu um sorriso gentil e se aproximou, abraçando-a pelos ombros.
Sentindo repulsa, Nina instintivamente deu um passo para o lado para escapar do toque dele.
— É, a sua mãe pediu que eu viesse cedo.
Ela olhou para Gustavo.
— Você sabia que eu viria hoje?
Gustavo hesitou por um segundo antes de concordar com um sorriso.
— Sim, claro que sabia. Você é minha esposa, como não viria?
Um sorriso levemente irônico surgiu nos lábios de Nina.
Será que eles realmente achavam que ela era idiota a ponto de não perceber o jogo sujo de mãe e filho?
Nina se sentiu infinitamente grata pela sua própria decisão firme tomada dois meses antes.
Lixo deveria ser descartado na lixeira.
Ela desviou o olhar para o lixo. Verônica, cheia de si, arqueou as sobrancelhas.
— Gustavo, você chegou.
Rute saiu do escritório, ajustando o xale sobre os ombros.
— Já está na hora. Vá para o salão principal ajudar seu pai a receber os convidados.
Gustavo queria dizer mais alguma coisa para Nina, mas a mãe o apressou, então ele se limitou a murmurar um "te procuro depois" e se afastou apressado.
— Sra. Mendes, se precisar de mim para alguma coisa, é só dizer.
Assim que Gustavo saiu, Verônica se aproximou de Rute. Sua postura era humilde e seu rosto exibia pura bajulação.
Mas Rute não caía nessa conversa fiada.
— Não preciso. Apenas faça o que o Gustavo te mandou e não diga nem uma palavra a mais.
Com o sorriso congelado no rosto, Verônica cerrou os punhos e respondeu:
— Farei tudo o que o Gustavo pedir.

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