Não fazia o menor sentido.
Devia ser coisa da sua cabeça.
— Me desculpe, eu não quis dizer isso. — Gustavo foi até ela e lhe entregou um pacote de lenços de papel. — Vou pedir um cobertor para a enfermeira.
Assim que saiu do quarto, Gustavo não foi direto para o balcão das enfermeiras. Em vez disso, empurrou a porta da saída de emergência.
Ele tirou o celular do bolso e ligou para o seu assistente.
— Descubra exatamente quem foi que doou sangue para mim daquela vez.
*
Depois de finalizar a última reunião de alinhamento sobre as exigências do projeto, Nina suspirou, aliviada de verdade.
Nunca mais precisaria pisar no Grupo Horizonte nem viver com medo de cruzar com Francisco Fontes.
Daqui a alguns dias, o certificado de divórcio sairia.
Dias maravilhosos de liberdade estavam acenando para ela.
Enquanto guardava suas coisas no fim do expediente, Janice Aguiar a chamou, apontando o queixo na direção dela: — O contrato com o Grupo Horizonte ainda não foi assinado. Vá lá ver o que aconteceu.
Nina franziu a testa. — Isso é trabalho do gerente de projeto, não é a minha função.
— Você não tem um caso... quer dizer, uma amizade muito próxima com o Diretor Fontes lá do Grupo Horizonte? Vá lá perguntar. Como você tem coragem de ter tão pouco espírito de equipe a ponto de não querer ajudar com uma coisinha tão simples?
Bem na hora de pico da saída, ao ouvirem a voz dela, outras pessoas do escritório esticaram o pescoço para ver o que estava acontecendo.
Janice limpou a garganta e continuou a tentar manipular Nina: — Pare de viver só para programar códigos o dia inteiro. Por mais importante que os códigos sejam, o contrato é muito mais. Se não conseguirmos fechar o acordo, todo o nosso esforço até agora vai pelo ralo.
Sem parar de guardar suas coisas, Nina respondeu num tom indiferente, deixando clara a sua posição: — Já que você tem tanto tempo livre para tentar fazer joguinhos psicológicos comigo, seria melhor você mesma correr lá no Grupo Horizonte agora e perguntar sobre o andamento da assinatura.
— Você —
Vendo que Nina era completamente impermeável às suas investidas, a vergonha de Janice se transformou em raiva. Por instinto, sentiu vontade de xingá-la de cínica; sabia muito bem que ela tinha um caso com Francisco Fontes e ainda ficava se fingindo de desentendida.
Mas ao se lembrar de quando foi flagrada falando mal pelas costas e ainda teve a conversa gravada, Janice fez bico e disse: — Eu já fui perguntar. Aquele Assistente Campos fica me enrolando dando desculpas esfarrapadas, dizendo que o Diretor Fontes está muito ocupado e, por enquanto, não tem tempo para assinar, e que assim que ele assinar eles entram em contato com a gente.
Claramente eles estavam travando as coisas de propósito.
Nina levantou a cabeça com desconfiança e encarou Janice.
— Tá olhando o quê? Acha que eu estou mentindo pra você? — Janice retrucou, zangada. — Se eu não estivesse num beco sem saída, jamais viria te pedir um favor.

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