Ofendido alguém?
O coração de Nina saltou à garganta, e os nós de seus dedos ficaram brancos ao segurar o celular com força.
Será que... foi Gustavo?
Nina rapidamente consolou Dona Marta:
— Dona Marta, não se preocupe. Eu vou tentar entrar em contato com a Júlia e, assim que conseguir, aviso a senhora.
Após desligar, ela caminhou apressadamente para fora. Francisco, com suas pernas longas, foi atrás dela.
— Aconteceu alguma coisa com a Júlia?
O rosto de Nina mostrava urgência:
— Sim. Preciso ir atrás dela rápido.
— Não se preocupe — Francisco a confortou. — Precisa da minha ajuda?
— Por enquanto, não.
Ultimamente, Francisco já a ajudara bastante, e ela não queria incomodá-lo mais.
Assim que saiu da cobertura, Nina ligou e mandou mensagens para Júlia, mas o telefone estava desligado e nenhuma das mensagens obteve resposta.
O coração de Nina afundou.
Pelas janelas de vidro do corredor, Nina observou o céu do lado de fora, coberto de nuvens escuras e pesadas, uma visão que deixava qualquer um com o espírito oprimido.
Sabendo que não podia ficar parada, Nina decidiu na mesma hora pedir uma licença a Oliver Ferreira.
Ao ser informado, Oliver franziu a testa, compartilhando da mesma intuição.
— Foi armação do Gustavo?
— Ainda não tenho certeza, mas nove em cada dez chances apontam para ele ou para a Verônica.
Ela ouviu um farfalhar do outro lado da linha, seguido pelo som de uma porta batendo e os passos ecoando em um corredor.
Só então Oliver continuou:
— Eu te ajudo a procurar.
— Oliver, obrigada.
Em seus momentos mais difíceis e de maior impotência, Oliver sempre fora o primeiro a se colocar à disposição para ajudá-la incondicionalmente.
Ela jamais se esqueceria daquele carinho.
Oliver ergueu as sobrancelhas com o seu jeito de sempre:
— Já lhe disse, agora você é minha ferramenta de ganhar dinheiro. Só estou ajudando por causa do desenvolvimento futuro da empresa.
Nina riu:
— Está bem, prometo que farei você ganhar muito dinheiro.
Eles se separaram: Oliver foi até a empresa onde Júlia trabalhava, enquanto Nina foi procurá-la no apartamento alugado e nos locais que a amiga costumava frequentar.
Quase ao anoitecer, os dois se encontraram em frente à delegacia.
Oliver chegou a passos largos e resumiu a situação a Nina:
— Os colegas de trabalho disseram que a Júlia tirou licença nos últimos dois dias. Não apareceu na empresa e nem saiu em viagem para ver clientes.
— Mas, quando eu estava de saída, trombei com o chefe da Júlia e perguntei se ele sabia o paradeiro dela. O olhar dele vacilou antes de dizer que não a tinha visto.
Nina perguntou, surpresa:
— Você suspeita do chefe dela?

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