— Tenho certeza de que foi obra daquele canalha do Gustavo!
Ao se virar e ver a expressão pesada no rosto de Nina, Júlia se apressou em apertar as mãos dela:
— Nina, aquele idiota do Gustavo está fazendo toda essa pressão em cima de mim só para te forçar a voltar para casa.
— Não ouse cair na armadilha dele por minha causa.
— Vocês dois já estão divorciados. Se você voltar para lá, os dois sozinhos... E se ele tentar te forçar a algo?
— O Gustavo anda completamente louco hoje em dia, ele é capaz de qualquer coisa.
Nina sentiu a ponta do nariz formigar. Ter uma amiga assim era como uma bênção conquistada numa vida passada.
Ela abraçou os ombros de Júlia, fungando um pouco:
— Mas eu não posso simplesmente ficar de braços cruzados vendo você perder o emprego e a fábrica da sua família fechar as portas.
— Nina, não seja boba — disse Júlia. — Eu sou a campeã de vendas. Se não me querem aqui, outro lugar vai me querer.
— Há tantas empresas em Marazul, não acredito que a influência do Gustavo chegue a todos os lugares.
— Quanto à fábrica da minha família, não dava muito lucro de qualquer forma. Meu pai já queria fechá-la há alguns anos.
A família de Júlia também viera do campo. O Sr. Jorge e a Dona Marta trabalharam duro e, com muito esforço, conseguiram se estabelecer em Marazul e montar aquela pequena fábrica.
Com os três morando juntos, não esbanjavam riquezas, mas levavam uma vida farta e confortável.
E, no entanto, acabaram arrastados para toda aquela confusão por causa de Nina; uma autêntica tragédia imerecida.
Nina levantou-se:
— Descanse bem nesses próximos dias. Eu vou procurar o Gustavo.
— De jeito nenhum! — Júlia se agitou. — Eu não queria te contar justo por medo de você ceder por minha causa! E agora você me diz que vai procurar o Gustavo? Então eu fiquei dois dias me escondendo à toa!
— Não se preocupe comigo. Procurar o Gustavo não significa que eu vá aceitar voltar para lá. Tenho meus próprios métodos.
— Então... — Júlia franziu a testa, ainda não se sentindo tranquila.
Oliver bateu à porta e entrou. Júlia prontamente informou a ele sobre a decisão de Nina:
— Diretor Ferreira, me ajude a convencê-la.
Oliver também franziu o cenho:
— Essa não é a única solução para o problema.
Nina sorriu, tentando acalmá-los:
— Independentemente de funcionar ou não, eu preciso tentar. Prometo a vocês: eu jamais cederei ao Gustavo nem voltarei para a Enseada Azul.
Diante daquela situação, essa era a única saída possível por enquanto.
Nina seguiu sem demora para a sede do Grupo Mendes.

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