Diante daquela ostentação sutil, a recepcionista sorriu de imediato:
— A senhora trabalha duro, Engenheira Barros. O Diretor Mendes também é muito atencioso com a senhora.
Era esse o tratamento digno de uma verdadeira Sra. Mendes.
Bem diferente de certa pessoa, que não conseguia nem completar uma ligação para o celular particular do diretor e ainda tinha a ousadia de se declarar sua esposa.
Quanta cara de pau.
O olhar desdenhoso da recepcionista voltou a pousar na figura de Nina, não muito longe dali.
Verônica também seguiu o olhar dela.
Para sua surpresa, acabou vendo Nina.
Ela demonstrou um momento de surpresa, mas em seguida curvou os lábios em um sorrisinho e caminhou em direção a ela.
— Srta. Almeida, por que está sentada aqui? Por que não sobe?
— Ah, não me diga que a recepção não a deixou passar por falta de agendamento?
Nina fixou um olhar frio em Verônica, deixando-a com o próprio monólogo teatral, sem dizer uma palavra.
Verônica mexeu nos longos cabelos ondulados e ergueu a entrega que segurava.
— Ai, a culpa é minha. O Gustavo passou a tarde inteira comigo.
— Eu disse que ia pular o jantar para emagrecer, mas o Gustavo ficou com medo de que isso fizesse mal ao meu estômago, então fez questão de pedir uma refeição nutritiva para mim.
Ela se aproximou mais um pouco, agindo com a clara intenção de causar aversão em Nina.
— Olhe só para você. Como a verdadeira esposa do Gustavo, e no entanto ninguém a reconhece, nem mesmo a ligação dele você consegue completar. Sabe, às vezes chego a ter pena de você.
Nina continuou a observá-la friamente, sem se incomodar em rebater.
Quando Verônica terminou de se vangloriar, Nina finalmente perguntou:
— O que aconteceu com a Júlia... foram vocês que fizeram?
— O quê? — Verônica ficou perplexa. — O que houve com a sua amiga vadia?
Nina baixou o olhar.
Parecia que Verônica não tinha nada a ver com a história.
Fora tudo ideia exclusiva de Gustavo.
Os olhos de Verônica se moveram, revelando um brilho repentino.
— Será que o Gustavo está se vingando de você pelo que me fizeram naquela noite?
— Hahaha! O que aconteceu com ela? Perdeu o emprego ou foi sequestrada? Sabe, eu adoraria ver a cara dela cedendo.
— Que tal assim? Eu peço ao Gustavo para não pegar tão pesado. Só o que vocês duas precisam fazer...
— É ajoelhar, fazer reverências até o chão e me pedir desculpas. Então eu deixo vocês em paz. O que me diz?

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