Verônica se assustou e se escondeu rapidamente atrás de Gustavo, mas sua figura vulgar, seminua, vestindo apenas uma camisa branca, foi claramente vista por Dona Elisa.
A idosa tremia de raiva e, apoiando-se trêmula na bengala, avançou e deu um tapa sonoro no rosto de Gustavo.
— Você me decepcionou profundamente!
O rosto de Gustavo continuou virado para o lado por um tempo, até ele falar em voz baixa e rouca:
— Vó, me desculpe.
— E de quem você está se desculpando? Quem merece suas desculpas é a Nina!
Dona Elisa estava com o coração partido.
— Vocês esconderam tudo de mim. Se eu não tivesse tido o capricho de vir aqui hoje ver a Nina, nem saberia que ela já tinha se mudado, e que você está morando com essa desgraçada!
Ao ouvir isso, Gustavo lançou um olhar frio e severo para Dona Odete.
Dona Odete encolheu os ombros.
— Só contei porque a senhora me forçou.
Dona Elisa bufou.
— Não há paredes sem frestas neste mundo. Quem não quer ser descoberto, que não faça.
Gustavo cerrou os lábios.
— Verônica e o Léo se mudaram faz tempo, ela só veio aqui hoje pegar um livro.
Verônica também se recuperou do susto.
— Sim, avó, eu só vim buscar um livro hoje. Já estou de saída.
Como que para provar, ela pegou de volta o livro que deixara no sofá e que havia usado para enganar Gustavo.
No entanto, sozinhos ali, ela com pouca roupa... quem acreditaria naquilo?
Dona Elisa era uma mulher racional e sabia que uma mão sozinha não bate palmas. Se seu neto estivesse se comportando corretamente, não estaria rodeado de moscas.
A menos que ele mesmo já fosse um ovo podre.
— Deixe-a ir, não quero olhar para a cara dela. — A senhora virou o rosto, a decepção escancarada.
Gustavo olhou friamente para Verônica.
Verônica não pôde mais pensar no conselho da mãe nem nos seus grandes planos. Pegou suas roupas o mais rápido que pôde e correu para fora.
Na sala de estar do segundo andar.
Gustavo serviu um copo de água morna para a avó sentada no sofá.
— Vó, beba um pouco de água.
Ela virou o rosto e se recusou a pegar. Gustavo colocou o copo na mesa de centro.

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