Por um momento, os dois grupos de pessoas começaram a discutir fervorosamente.
Nesse exato instante, o telefone de Nina tocou.
Ela ergueu levemente o canto da boca, atendeu a chamada e, de propósito, colocou no viva-voz.
Do outro lado da linha, veio uma voz masculina cheia de energia, soando em tom de acusação evidente.
— Sua moleca desgraçada, querendo dividir herança já? Tá rogando praga pra eu morrer?!
De imediato, todos no saguão ficaram em silêncio absoluto.
Nina aumentou o tom de voz:
— Eu não estou rogando praga nenhuma. Alguém aqui me disse que você estava tão doente no hospital que só tinha mais uns dias de vida.
Marcos Almeida perdeu as estribeiras na mesma hora:
— Mentira do cacete! Quem é que tá me agourando? Põe ela pra falar comigo agora!
— Espere um pouco.
Nina deu um leve sorriso e estendeu o celular para Sandra:
— Mãe, que tal você dar uma explicada?
Sandra se viu encurralada. Não podia admitir, mas também não podia negar. Com um sorriso amarelo, balbuciou:
— Seu pai ficou doente sim, mas não era grave desse jeito que você falou.
— Ah é? Que doença? Porque pela voz dele, achei ele cheio de energia, com mais vigor que muito jovem por aí.
— Pressão alta, problema antigo.
Nina deu uma risada fria:
— E uma pressão alta justificou você vir até o meu local de trabalho, fazer o maior escândalo e me chamar de ingrata na frente de todo mundo?
— O que você quer afinal? Fazer chantagem emocional ou destruir a minha vida?
Ela olhava para Sandra de cima, com um olhar perscrutador que parecia ver através de tudo.
Sandra estremeceu por dentro, mas tentou manter a pose:
— Não é nada disso que você tá falando. Eu só queria que você visitasse mais o seu pai, ele sente sua falta.
Desta vez, a voz saiu muito mais baixa, revelando uma nítida insegurança.
Os curiosos finalmente entenderam a situação e perceberam que haviam julgado Nina de forma injusta. Ficou óbvio que tudo não passava de um teatrinho armado por aquela mulher.
Sem mais barraco para assistir, começaram a se virar para ir embora.
Mas de repente, uma voz soou no meio da multidão.
— Já vão embora? E os que ofenderam a Srta. Almeida sem saber de nada, não vão pedir desculpas?
Ao seguir a voz, Nina surpreendentemente avistou o Assistente Campos.
Ele sorriu para Nina.

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